Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, a tecnologia tem acelerado a produção agrícola e fortalecido a sustentabilidade no campo. De sensores que monitoram o solo em tempo real a softwares de gestão e máquinas de alta precisão, o estado tem combinado eficiência e preservação ambiental.
O resultado disso está nas projeções do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) para a safra 2025/26 de soja, com mais de 13 milhões de hectares plantados. A antecipação da colheita também pode favorecer o cultivo do milho, cuja produtividade deve ficar entre 110 e 120 sacas por hectare.
O especialista em Data Science, Paulo Souza, explica que o uso de dados é essencial para o manejo mais inteligente e sustentável.
“Com novos equipamentos, conseguimos aplicar insumos apenas onde é necessário, economizando recursos e reduzindo impactos ambientais”, disse.
Com imagens de satélite e drones, produtores geram mapas detalhados da propriedade, cruzam com dados de produtividade e identificam áreas que precisam de manejo específico. Entre os avanços, está a aplicação localizada de herbicidas, que reduz o uso de químicos e preserva o meio ambiente. Aplicativos como Climate FieldView e Agritempo ajudam a planejar manejos de acordo com a previsão do tempo, evitando desperdícios.
Walisson Marques Silveira, pesquisador da Fundação MT, destaca que máquinas com sistemas de navegação e piloto automático otimizam a disposição de sementes, garantem uniformidade na lavoura e preservam a qualidade dos grãos. Segundo ele, tecnologias antes restritas a grandes propriedades já chegam adaptadas para áreas menores.
Tecnologia desenvolvida no estado
Em Juína, dois estudantes do IFMT criaram o Solif, software que diagnostica a fertilidade do solo e recomenda correções. O sistema, integrado ao programa federal Solo Vivo, já beneficia mais de 700 famílias de assentamentos rurais.
“A ferramenta reúne dados de coleta, análise e aplicação em um só lugar, agilizando o trabalho e garantindo segurança nas informações”, afirmou o coordenador do programa, Fabrício Andrade.
O projeto foi finalista do Prêmio Inova 2025 e mostra como a tecnologia pode democratizar o acesso a práticas sustentáveis.
Outro destaque é o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que utiliza máquinas especiais para trabalhar em áreas com árvores e pastagens sem degradar o solo. A irrigação inteligente garante uso eficiente da água, aplicando-a apenas onde e quando necessário. Segundo a Embrapa, o ILPF transforma áreas degradadas em produtivas e sustentáveis, gerando lucro e benefícios ambientais.
Em Sinop, outro exemplo são produtores que adotaram pulverizadores com desligamento bico a bico e plantadeiras com desligamento linha a linha, tecnologias que reduzem o desperdício de defensivos e sementes. A energia solar também tem ganhado espaço nas propriedades, garantindo economia e menor impacto ambiental.
O uso da tecnologia tem sido uma das principais condições que garantem que 58% do território mato-grossense permaneça coberto por vegetação nativa e 16 milhões de hectares de pastagens têm uso integrado com a agricultura, segundo dados do Sistema Famato.
O Ministério da Agricultura anunciou, em março deste ano, R$ 53 milhões em investimentos para infraestrutura de pesquisa em Mato Grosso. A meta é reforçar o papel do estado como referência nacional em inovação agropecuária.
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