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Boas práticas e tecnologia redefinem o seguro rural

Boas práticas e tecnologia redefinem o seguro ruraltecnologia e na segregação dos públicos são apostas para o setor. Foto: Agência Gov

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Os efeitos do clima sobre o campo demandam cada vez mais dos cofres públicos. Na última década, os pagamentos de indenizações aos agricultores cobertos pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) passaram de R$ 38,6 bilhões. Outros R$ 39 bilhões foram pagos por companhias privadas de seguro.

“Estamos vivendo problemas que projeções mais antigas diziam que só iriam acontecer a partir de 2030 ou 2040”, explicou ao Globo Rural a especialista Ana Maria Heuminski de Avila, agrometeorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), ligado à Unicamp.

Neste cenário, inúmeras medidas paliativas de prorrogações e renegociações de dívidas foram elaboradas pelo governo federal recentemente até chegar a um aporte de R$ 12 bilhões em 2025 para um novo programa direcionado para amortização ou liquidação do passivo de produtores afetados pelo clima.

Mesmo com novos recursos, o setor avalia que o modelo segue insuficiente e cobra previsibilidade na aplicação do orçamento. As mudanças defendidas, como a ampliação do seguro e a criação do Fundo Catástrofe, ainda esbarram na lentidão do projeto de lei em debate no Senado.

Tecnologia para precificar o risco real

As apostas para o futuro do seguro rural estão na tecnologia e na segregação dos públicos. É necessário obter e tratar os dados por propriedade rural e não mais no âmbito dos municípios, o que torna a precificação do risco “generalista”, indica Vitor Osaki, diretor-presidente da Picsel, empresa de tecnologia especializada no setor.

Já há tecnologia capaz de mesclar modelagem agrometeorológica, dados de satélites e inteligência artificial para criar um “gêmeo digital” de cada lavoura. Com a clareza dos dados, é possível customizar produtos e precificá-los de forma individualizada.

“A visão de futuro é estar mais próximo, ter a fazenda conectada para entender 100% do que o produtor opera, para entender como ele vai administrar o risco”, diz Glaucio Toyama, que lidera as operações de agronegócios da Swiss Re na América Latina e preside a Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg).

Boas práticas começam a valer no seguro

Informações detalhadas sobre uso de insumos, datas de plantio, operações de máquinas, por exemplo, ajudam a precificar melhor o risco da atividade e a oferecer um seguro mais adequado. Com essa visão, o seguro rural pode segregar produtores que investem em boas práticas para oferecer produtos melhores e mais baratos.

Um exemplo é o projeto-piloto adotado este ano no PSR com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) em Níveis de Manejo. A Embrapa avalia o impacto de práticas de manejo que contribuem para o enfrentamento de secasse. Quanto melhor for a saúde do solo, maior o percentual de subvenção ao prêmio na apólice do seguro rural.

Com a inovação tecnológica necessária para ter um seguro rural mais resiliente já disponível, resta saber se isso será percebido pelos agentes envolvidos e revertido em vontade política e decisão de investimento.

Risco climático é nova realidade

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que o planeta vai ultrapassar uma temperatura média de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais já na próxima década.  Os efeitos já são sentidos no campo. Em uma vasta área entre o Centro-Oeste, Nordeste e sul da Amazônia, a temporada de chuvas está mais curta.

“Essa redução de umidade vem acompanhada de fortes ondas de calor. A cada grau que aumenta a temperatura no sul do Pará, por exemplo, a produtividade da soja perde 230 quilos por hectare”, afirmou Eduardo Assad, pesquisador e professor do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro).

Para a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), esse é um momento de virada de página: ou ocorrem mudanças efetivas e ampliação do seguro no país ou ele poderá virar um produto de nicho. Para se ter ideia, em 2025, apenas 3% da área plantada foi segurada com subvenção federal.

 

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