A safra de soja 2025/2026 acende um alerta para os produtores do Sul e do Centro-Oeste com o avanço rápido da ferrugem asiática. O Brasil já contabiliza 144 registros da doença, sendo que o Paraná e o Mato Grosso do Sul lideram as estatísticas, concentrando a grande maioria das ocorrências nacionais.
No Mato Grosso do Sul, a situação preocupa: o estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional, atrás do Paraná, com 44 casos confirmados. Esse volume representa um salto de 54% em comparação ao ciclo passado. O aumento acompanha a tendência de maior pressão do patógeno nesta safra, exigindo atenção redobrada dos agricultores sul-mato-grossenses para evitar perdas na produtividade.
O Paraná é o estado mais atingido até o momento, somando 88 registros — o que representa mais da metade do total nacional. Esse número é mais do que o dobro do registrado no mesmo período da safra anterior, quando o estado tinha 41 ocorrências.
Segundo a Embrapa, esse aumento não significa falta de controle, mas indica que o fungo está circulando intensamente devido ao clima úmido e à presença de soja voluntária (o “tiguera”) que sobreviveu ao inverno.
A antecipação da janela de plantio no estado, iniciada em setembro, também contribui para o aparecimento precoce da doença. Além disso, a forte rede de monitoramento das cooperativas locais ajuda a identificar e notificar os focos com maior agilidade.
Abaixo, veja a distribuição dos casos nos principais estados atingidos:
- Paraná: 88 casos.
- Mato Grosso do Sul: 44 casos.
- Rio Grande do Sul: 5 casos.
- São Paulo: 4 casos.
Orientações para o manejo eficiente
Especialistas da Embraparessaltam que o manejo adequado é fundamental para conter o avanço da ferrugem. Como o fungo tem apresentado resistência a alguns componentes, a principal recomendação é o uso de fungicidas multissítios, que atuam em diferentes pontos do metabolismo do invasor e aumentam a vida útil das tecnologias de controle.
O produtor deve manter o monitoramento constante das lavouras e utilizar o aplicativo do Consórcio Antiferrugem para acompanhar a dispersão dos esporos em tempo real. A eliminação de plantas voluntárias e o respeito rigoroso ao vazio sanitário continuam sendo as estratégias de prevenção mais eficazes para reduzir o inóculo da doença nas próximas etapas do ciclo.

