O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta segunda-feira, 26, o resultado de sua Chamada Pública de Mitigação Climática, selecionando sete fundos de investimento que atuarão como motores da descarbonização no Brasil.
Com um aporte direto de R$ 4,3 bilhões via BNDESPAR, a iniciativa projeta um efeito multiplicador capaz de mobilizar outros R$ 16,2 bilhões em capital privado, totalizando um fôlego financeiro de mais de R$ 20 bilhões para a agenda verde nacional.
Lançada no rastro das discussões da COP30, a chamada atraiu 45 propostas de gestores do mundo inteiro. A seleção final contempla cinco fundos de equity (participação em empresas) e dois de crédito, divididos em dois eixos estratégicos: Transformação Ecológica e Soluções Baseadas na Natureza.
Na categoria de Transformação Ecológica, o foco são setores industriais pesados e novas tecnologias energéticas. Três fundos de equity lideram os aportes: o Catalytic Transition Fund Brazil (R$ 1 bilhão), o Generation Just Climate Brasil (R$ 800 milhões) e o EB Clima II (R$ 500 milhões). Eles serão responsáveis por financiar projetos de hidrogênio verde, aço e cimento de baixo carbono, biocombustíveis e armazenamento de energia.
No braço de crédito, o banco selecionou o Vinci Crédito Soluções Climáticas e o FIDC Clima Riza Farma, com R$ 500 milhões cada, reforçando o financiamento para a descarbonização industrial e a economia circular.
O Arco da Restauração e soluções baseadas na natureza
A outra frente da chamada mira a recuperação do capital natural brasileiro, com foco em biomas estratégicos como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
Os fundos Patria Latam Reforest e The Amazon Reforestation Fund (Mombak), com aportes de R$ 500 milhões cada, têm como meta ambiciosa a restauração de mais de 90 mil hectares.
A estratégia prioriza o chamado “Arco da Restauração” na Amazônia, promovendo sistemas agroflorestais e silvicultura sustentável que integram lavoura, pecuária e floresta.
O objetivo é transformar áreas degradadas em ativos produtivos e sumidouros de carbono, fortalecendo a bioeconomia local.
Estratégia e soberania verde
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o banco cumpre o papel de “ancorar” investimentos em áreas onde o capital privado ainda hesita em entrar sozinho devido aos riscos e prazos longos, como o reflorestamento e a indústria verde.
“A iniciativa amplia os investimentos no Brasil e contribui para o cumprimento das metas nacionais de redução de emissões”, destacou.
Uma regra fundamental da chamada é que 100% dos recursos devem ser investidos exclusivamente em projetos dentro do território nacional. Agora, os fundos selecionados entram em fase de diligência técnica antes da liberação efetiva dos aportes. A medida é vista como um passo decisivo para tornar a indústria e as cidades brasileiras mais resilientes aos impactos climáticos, transformando o Brasil em um hub global de inovação sustentável.

