O complexo de enfezamento do milho voltou a preocupar produtores nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, devido aos danos causados pela cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). Este inseto transmite patógenos que geram o enfezamento pálido, o enfezamento vermelho e o vírus da risca, podendo reduzir a produtividade entre 20% e 70%, ou até causar a perda total da lavoura. As informações são do Agrolink.
“A cigarrinha é uma praga específica do milho, que nela se alimenta, vive e se reproduz. Mas ela não nasce contaminada. Para transmitir os patógenos, precisa se alimentar de uma planta já doente e, então, disseminar a infecção para as demais”, explica Thiago Filippin, desenvolvedor de mercado da FMC.
Por isso, de acordo com ele, o controle deve ser preventivo.
A época de semeadura é uma decisão estratégica. Filippin afirma que “plantios precoces encontram menor população da praga no campo. Já semeaduras tardias ficam expostas a cigarrinhas que migram de áreas já colhidas e carregam patógenos, aumentando o risco de infecção”.
Os sintomas variam: amarelamento e perfilhamento excessivo (pálido), folhas avermelhadas (vermelho) ou raiado fino (virose).
Outro ponto vital é a eliminação do milho tiguera (plantas voluntárias), que servem de “ponte verde”. Segundo o especialista, “a cigarrinha precisa da planta de milho para completar seu ciclo. Se houver tiguera na entressafra, ela encontra abrigo e alimento, perpetuando o problema. Por isso, eliminar as tigueras é estratégia fundamental no manejo da praga”.
Genética e Tratamento de Sementes
A escolha de cultivares tolerantes a molicutes é essencial, especialmente para quem planta no meio ou fim da janela. Filippin recomenda priorizar essas sementes e utilizar o tratamento químico inicial.
“Busque produtos com bom residual, alta sistemicidade e que garantam eficácia contra a cigarrinha. Inseticidas dos grupos dos neonicotinoides e butenolidas têm se mostrado eficazes nessa etapa”.
Muitos produtores focam apenas na aplicação foliar, o que Filippin considera um erro.
“A pulverização é uma ferramenta relevante, mas não é a principal. O milho cresce rápido, emitindo uma nova folha a cada quatro dias, e é exatamente nessas folhas novas que a cigarrinha se instala. Isso impõe um desafio operacional enorme ao produtor”, alerta. O foco deve ser o monitoramento e a redução da praga a níveis aceitáveis, e não a erradicação total.
O manejo integrado, unindo planejamento e suporte técnico, é a única saída sustentável. Filippin reforça que “é fundamental que o produtor veja o manejo do enfezamento não como uma receita, mas como um sistema, onde cada decisão impacta diretamente nos resultados finais”.

