As lavouras de soja de Mato Grosso do Sul enfrentam um cenário de extremos climáticos. Enquanto o excesso de umidade no final de 2025 impulsionou o avanço da ferrugem asiática em mais de seis vezes, a irregularidade das chuvas em janeiro de 2026 trouxe veranicos severos que já impactam mais de 640 mil hectares. As informações são do Correio do Estado.
Dados do Consórcio Antiferrugem (Embrapa Soja) revelam uma piora sanitária expressiva:
- Registros atuais: 68 ocorrências em MS (até o momento).
- Comparativo: Na safra anterior, foram apenas 12 casos — um aumento de 500%.
- Fator Crítico: A alta umidade de dezembro, com acumulados de até 439 mm (144% acima da média em Mundo Novo), favoreceu a reprodução do fungo.
Para Flavio Aguena, assessor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), a falta de chuva ainda é preocupação maior para o produtor rural. De acordo com ele, essa safra teve uma maior incidência por causa do clima mais úmido que prevaleceu até dezembro de 2025, o que favoreceu a reprodução e disseminação do fungo.
“No entanto, isso não foi motivo de grande preocupação dos produtores. O principal fator que prejudicou as lavouras, nesta safra, foi a seca que ocorreu em uma fase crítica da cultura da soja”, comenta.
O impacto da estiagem:
- A qualidade das lavouras em condição “boa” caiu de 75% para 64,7% em janeiro.
- Municípios atingidos foram Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai registraram períodos de seca superiores a 20 dias em fases críticas da cultura.
- No extremo Sul, o excesso de chuva dificulta o trânsito de máquinas, prejudicando tanto as pulverizações de controle quanto o início da colheita.
A previsão continua com possibilidade de clima instável, apesar de menos chuva no comparativo. De acordo com boletim técnico divulgado, em grande parte do Estado, as chuvas variam entre 300 mm a 500 mm.
“A tendência climática para o trimestre fevereiro, março, abril de 2026 indica precipitação irregular no Estado, com variações regionais. No entanto, a expectativa é de que, de modo geral, os volumes de chuva fiquem abaixo da média histórica”.

