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Escalada de guerra no Oriente Médio encarece insumos agrícolas

Escalada de guerra no Oriente Médio encarece insumos agrícolasFoto: Reprodução/Apex Brasil

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Por André Garcia

A escalada do conflito no Oriente Médio reacendeu as preocupações do agronegócio brasileiro com a ureia, principal fertilizante nitrogenado usado no País. O insumo, essencial para as lavouras de milho, trigo e algodão, saltou de uma média de US$ 480 na semana anterior para a faixa de US$ 500 a US$ 550 por tonelada agora.

A situação escancara a dependência brasileira de fertilizantes importados, um dos pontos mais sensíveis da produção agrícola nacional. Hoje, mais de 90% dos nutrientes utilizados nas lavouras brasileiras vêm do exterior, cenário que expõe produtores às oscilações cambiais, a crises logísticas e a conflitos geopolíticos em regiões estratégicas do mercado global de insumos.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil importou cerca de 44 milhões de toneladas de fertilizantes em 2024, movimento que gerou um déficit comercial superior a US$ 13 bilhões. Nesse contexto, cresce o debate sobre alternativas para reduzir a dependência externa, como a dos bioinsumos.

Custos e vulnerabilidade externa

Essa dependência tem impacto direto no custo de produção. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os fertilizantes representaram em média 23% dos custos das lavouras de soja, milho e algodão em 2024.Como os insumos são cotados em dólar e dependem de cadeias globais de produção, qualquer instabilidade internacional tende a refletir rapidamente nos preços.

Um exemplo recente ocorreu em 2022, quando o início da guerra entre Rússia e Ucrânia provocou forte aumento nos preços internacionais dos fertilizantes. Dados do Banco Mundial indicam que a ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada na agricultura, chegou a subir mais de 100% entre o fim de 2021 e meados de 2022.

A sensibilidade do mercado de fertilizantes aos conflitos no Oriente Médio está ligada à importância logística do Estreito de Ormuz, corredor que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Cerca de um terço da ureia comercializada globalmente passa pela região, onde países como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos concentram grande capacidade de produção de amônia e fertilizantes nitrogenados.

Qualquer restrição ao tráfego no estreito pode afetar rapidamente o fluxo desses insumos e pressionar os preços internacionais. Isso ocorre porque o nitrogênio sintético é essencial para a produção de alimentos. Estima-se que cerca de metade da produção agrícola dependa de fertilizantes nitrogenados para manter altos níveis de produtividade.

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