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Com 45% da área tratada, Centro-Oeste lidera avanço dos bioinsumos

Com 45% da área tratada, Centro-Oeste lidera avanço dos bioinsumosIniciativas para inovação começam a ganhar escala na região. Foto: Wenderson Araujo/Trilux

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Por  André Garcia

A área tratada com bioinsumos cresceu cerca de 25% no Centro-Oeste em 2025, região que concentra quase metade do uso dessas tecnologias no País. No mesmo período, o mercado brasileiro movimentou R$ 6,2 bilhões, alta de 15% em relação a 2024, segundo boletim divulgado pela CropLife Brasil (CLB) recentemente.

Esses resultados são influenciados pela maior organização do setor, com simplificação de processos regulatórios e entrada de novos players, ampliando a oferta de produtos no mercado.

“Os bioinsumos deixam de ser uma tendência e se tornam cada vez mais uma realidade no campo. Esse avanço mostra como a adoção vem sendo acelerada, principalmente em culturas de larga escala”, destacou a diretora de bioinsumos da CLB, Amália Borsari.

Uso cresce nas principais regiões produtoras

Segundo o relatório,  o Centro-Oeste concentra 45% da área tratada com bioinsumos no País. Mato Grosso lidera com cerca de 47 milhões de hectares em 2025, o equivalente a 24% da área nacional, acima dos 38 milhões registrados em 2024. O desempenho acompanha a escala das lavouras de soja, milho e algodão e a alta adoção de tecnologias como os inoculantes.

Já em Goiás, foram 27 milhões de hectares em 2025 (14%), frente a aproximadamente 22 milhões no ano anterior. Por sua vez, Mato Grosso do Sul passou de cerca de 10 milhões para 14 milhões de hectares (7%) no mesmo período.

Setor ganha escala e atrai novos players

A tendência é de continuidade desse movimento com a Lei dos Bioinsumos, sancionada no fim de 2024, que ainda aguarda regulamentação. Não à toa, estados, governos, universidades e startups também preparam o caminho para o avanço dessa agenda.

Em Mato Grosso, governo e Universidade Federal (UFMT) estão mapeando a cadeia de fertilizantes para criar um hub voltado à produção e ao desenvolvimento tecnológico. Embora o estado consuma cerca de 25% dos fertilizantes do País, ainda depende de importações que chegam a 85%, o que impulsiona a busca por soluções.

“O hub vai nos permitir avançar não apenas em autonomia, mas também em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e uso de bioinsumos, alinhando competitividade e sustentabilidade”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, ao assinar o acordo com a UFMT.

Desafios persistem

Em Goiás, levantamento da Secretaria de Agricultura em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão mostra que o uso dessas tecnologias já avança no campo, mas ainda enfrenta desafios. Segundo a pesquisa, 31,48% dos produtores utilizam bioinsumos, enquanto 65% dos consultores recomendam a tecnologia.

Entre os principais entraves estão a falta de informação, o custo inicial de adoção e a escassez de mão de obra qualificada. Ainda assim, o potencial de crescimento é elevado: 78,3% dos produtores que ainda não utilizam afirmam que pretendem adotar a prática.

“A tecnologia vem ganhando espaço e confiança dentro do setor produtivo”, afirmou o secretário de Agricultura de Goiás, Pedro Leonardo Rezende.

Parcerias aceleram desenvolvimento

Iniciativas para inovação começam a ganhar escala em Mato Grosso do Sul. Em fevereiro, parceria firmada entre a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a startup sul-mato-grossense Pantabio garantiu o desenvolvimento de bioinsumos voltados ao setor florestal, com foco em ganho de produtividade e redução de perdas no campo.

A tecnologia é baseada no uso do fungo Trichoderma, aplicado na produção de mudas, e busca ampliar a eficiência das lavouras e reduzir a dependência de insumos químicos, conectando pesquisa, setor produtivo e desenvolvimento de soluções adaptadas às condições locais.

 “Estamos falando de tecnologia com DNA do Pantanal, preparada para enfrentar estresse térmico e hídrico. O nosso foco é simples: como essa inovação resolve problemas reais do campo, aumenta a produtividade e reduz perdas”, destacou Tiago Calves, da Pantabio, ao defender a integração entre universidades, empresas e governo.

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