Por André Garcia
O mercado de bioinsumos no Brasil ultrapassou R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a área tratada com produtos biológicos chegou a 194 milhões de hectares, avanço de 28% sobre 2024, conforme dados divulgados recentemente, pela CropLife Brasil (CLB).
Diante da disparada nos preços de insumos importados, causada por conflitos internacionais, os dados reforçam o potencial dessa estratégia, que, além de reduzir a dependência externa do agronegócio brasileiro, pode ajudar o setor a responder às pressões por sustentabilidade e eficiência.
“Existem desafios estruturais na produção, ligados à crescente pressão por soluções mais sustentáveis no campo. E os bioinsumos surgem exatamente nesse cenário, como uma tecnologia viável e integrada, para alcançar uma produção mais sustentável”, avalia o gerente executivo da CLB, Renato Gomides.
Manejo integrado e escala da estratégia
O avanço do setor está associado a uma combinação de fatores, como a profissionalização da indústria, a necessidade de enfrentar pragas resistentes e a maior adoção dos produtos pelos produtores, seja por meio de aplicações recorrentes ou do uso combinado com insumos químicos.
“Os bioinsumos deixam de ser uma tendência e se tornam cada vez mais uma realidade no campo, é o que reflete a confiança do produtor rural no uso dessa tecnologia. Esse avanço mostra como a adoção vem sendo acelerada, principalmente em culturas de larga escala”, destacou a diretora de bioinsumos da CLB, Amália Borsari.

Diferentes tecnologias
Entre os segmentos, os inoculantes lideram em área tratada, com presença em 77 milhões de hectares, o equivalente a 40% do total. Já os bionematicidas se destacam no ritmo de expansão, com crescimento de cerca de 60% entre 2024 e 2025, adicionando 16 milhões de hectares.
No valor de mercado, os bioinseticidas concentram a maior participação, com 35%, seguidos por bionematicidas (30%), biofungicidas (22%) e inoculantes (13%). Os biofungicidas, por sua vez, registraram o maior crescimento em valor, de 41%, alcançando R$ 1,4 bilhão, impulsionados pelo controle de doenças como mofo branco e ferrugem.
Soja lidera entre culturas e MT entre estados
O uso dos bioinsumos segue concentrado nas principais culturas agrícolas. A soja responde por 62% do total, seguida por milho (22%) e cana-de-açúcar (10%). Outras culturas, como algodão, café, citrus e hortifruti, somam cerca de 6%.
Entre os estados, Mato Grosso lidera o uso dessas tecnologias, impulsionado pela soja, que adota inoculantes em 90% da área cultivada. São Paulo e Goiás aparecem na sequência, com 17% e 14% da área tratada, respectivamente. A região do MATOPIBA também avança e já representa 11% da área nacional.
“O cenário para os defensivos biológicos é promissor. O produtor já compreende a importância da tecnologia, que complementa as práticas adotadas na proteção das lavouras”, concluiu Gomides.
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