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Guerra pode custar até 10 bilhões de refeições por semana

Guerra pode custar até 10 bilhões de refeições por semanaExecutivo diz que pode haver disputa por comida. Foto: Embrapa

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O cenário de instabilidade no Oriente Médio está redesenhando os custos do agronegócio mundial e impõe um desafio inédito à segurança alimentar. Com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, rota por onde circula um terço dos fertilizantes do planeta, o CEO da Yara, Svein Tore Holsether, alerta que a escassez global de insumos pode significar a perda de até 10 bilhões de refeições por semana. as Informações são da BBC.

O gargalo logístico já elevou o preço dos fertilizantes em 80%, gerando um efeito dominó que vai da produtividade no campo ao valor final nas prateleiras.

O alerta de Holsether baseia-se na matemática do campo: sem a aplicação adequada de fertilizantes nitrogenados, a produtividade de culturas essenciais pode cair até 50% já na primeira safra.

No Brasil, o setor sente o impacto em duas frentes: a alta do diesel, que encarece o frete e a operação das máquinas, e a dificuldade de acesso a nutrientes para o solo a preços competitivos.

Embora o agronegócio brasileiro seja robusto, a pressão sobre as margens do produtor é crescente, já que os custos de produção sobem mais rápido que o preço de venda das colheitas.

Disputa por alimentos

A crise expõe uma desigualdade no mercado global: enquanto nações ricas conseguem absorver a alta de preços para garantir seus estoques, regiões mais vulneráveis na Ásia e na África enfrentam o risco real de desabastecimento.

Para o CEO da Yara, a continuidade do conflito do Oriente Médio pode desencadear uma disputa desigual por suprimentos entre as nações. Holsether levanta um questionamento moral para as economias mais fortes:

“Se há uma disputa por alimentos e uma que a Europa é robusta o suficiente para lidar, o que precisamos ter em mente na Europa é: nessa situação, de quem estamos tirando comida ao comprarmos?”.

O executivo alerta que o poder de compra dos países desenvolvidos pode acabar “empurrando” os custos para quem menos pode pagar.

Segundo ele, “essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto por isso, em nações em desenvolvimento que não podem se dar ao luxo de acompanhar”.

Na prática, essa dinâmica de mercado não afeta apenas os preços, mas atinge diretamente a sobrevivência humana, com implicações graves na “acessibilidade dos alimentos, na escassez de alimentos e na fome”, conclui o chefe da Yara.