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Adaptação e uso inteligente da terra é resposta contra o Super El Niño

Adaptação e uso inteligente da terra é resposta contra o Super El NiñoILPF é uma das recomendações de boas práticas. Foto: João Carlos Castro/Famasul

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Resumo

  • Especialistas defendem que proteger e recuperar o solo é essencial para evitar prejuízos bilionários e garantir o lucro do produtor diante da chance de um Super El Niño anos próximos meses.
  • A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura lançou um documento cobrando dos candidatos às próximas   eleições a modernização das políticas para o campo.
  • A entidade pede que os financiamentos e os seguros agrícolas sejam reformulados para proteger a renda do produtor diante de quebras de safra mais frequentes.
  • O documento sugere a expansão de técnicas que recuperam o solo, como o plantio direto, o uso de bioinsumos e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
  • Garantir a adaptação do campo brasileiro é vital, já que o País ajuda a alimentar cerca de 20% da população do planeta (mais de 1 bilhão de pessoas).

Tratar a preservação do solo como patrimônio financeiro é o caminho defendido por especialistas para evitar perdas bilionárias no campo. Diante de projeções de um Super El Niño, entidades do setor pedem uma modernização urgente no modelo de assistência ao produtor.

Este posicionamento, defendido pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura em um novo documento de propostas para os candidatos às eleições de 2026, ocorre no momento em que a agência meteorológica dos EUA (NOAA) calcula em 81% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade máxima entre outubro e dezembro.

O fenômeno deve trazer secas severas, tempestades e calor fora do comum, exigindo prioridade máxima em ações que blindem as lavouras e reduzam as fraquezas da cadeia de suprimentos.

“A previsão de um El Niño deixa de ser apenas um alerta meteorológico para se tornar um chamado urgente à modernização das nossas políticas públicas para o campo”, alerta Leila Harfuch, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone.

De acordo com Harfuch, o fenômeno pressiona a agenda de adaptação climática, exigindo que o seguro e o crédito rural sejam atualizados para oferecer previsibilidade e proteger a renda do produtor diante de quebras de safra cada vez mais frequentes.

“Não podemos mais tratar eventos extremos como exceções; precisamos de um planejamento territorial robusto e da implementação célere do Código Florestal para reduzir as vulnerabilidades e garantir a segurança hídrica, energética, produtiva e alimentar do País.”

Soluções práticas no campo

Além de reestruturar as ferramentas de proteção financeira, a Coalizão orienta os candidatos de 2026 a incentivarem tecnologias que regeneram o campo, tais como:

  • O plantio direto na palha
  • A substituição de defensivos químicos por bioinsumos
  • O consórcio entre lavoura, pecuária e floresta (ILPF)

De acordo com o documentos, esses modelos ajudam o solo a reter água e nutrientes, tornando as fazendas mais fortes contra as intempéries.

“A resiliência da agropecuária brasileira depende do reconhecimento do uso sustentável da terra como um ativo econômico”, afirma Rodrigo Castro, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e diretor de País da Fundação Solidaridad.

Sustentabilidade como motor econômico

O manifesto da entidade reforça que proteger o meio ambiente e fazer o manejo correto do solo não são pautas externas, mas sim ativos financeiros reais para o produtor.

“É preciso produzir mais e melhor, o que passa obrigatoriamente pela adoção de práticas de agricultura regenerativa, de baixo carbono e de conservação do solo para criar resiliência diante da irregularidade climática. É importante ressaltar que a agropecuária brasileira contribui para a segurança alimentar de mais de 1 bilhão de pessoas no planeta; garantir a nossa capacidade de adaptação é assegurar o abastecimento de quase 20% da população mundial”, alerta Castro.

Para o diretor, ao agilizar os processos de regularização ambiental e integrar a mata nativa ao dia a dia da produção, o País colhe benefícios comerciais e operacionais.

“Não estamos apenas protegendo biomas, mas blindando a produtividade contra os efeitos do clima e garantindo a competitividade do Brasil no mercado global”, afirma.

O documento na íntegra pode ser acessado aqui.