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Brasil deve virar o maior exportador agrícola do mundo

Brasil deve virar o maior exportador agrícola do mundoBrasil reduziu de 137% para 1,2% a vantagem dos EUA no setor. Foto: Agência Brasil

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Resumo

  • O Brasil está prestes a superar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador agrícola do mundo em 2026, reduzindo a vantagem americana de 137% para apenas 1,2%, diz reportagem do Financial Times, um dos principais jornais diários de negócios, economia e finanças do mundo.
  •  Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões contra US$ 169 bilhões do Brasil — uma distância de apenas US$ 2 bilhões (que era de US$ 56 bilhões em 2021).
  • A notícia chega na véspera a entrada em vigor das novas taxas de 25% impostas por Donald Trump.
  • A guerra comercial dos Estados Unidos com a China, fez o país asiático comprar em massa do Brasil (com alta de 83% no início de 2026). Hoje, a China compra 33% de tudo o que o agro brasileiro vende.
  • O sucesso brasileiro, diz a publicação,vem de investimentos de décadas em tecnologia, correção de solo e capacidade de colher até três safras por ano.
  • Analistas alertam para riscos como juros altos no Brasil, queda nos preços globais das mercadorias e alta no custo de fertilizantes importados devido a conflitos internacionais.

O Brasil está prestes a ultrapassar os Estados Unidos e assumir o posto de maior exportador agrícola do planeta ainda em 2026, segundo uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, um dos principais jornais diários de negócios, economia e finanças do mundoChina, exportação. O levantamento — elaborado com base em dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil — aponta que o País reduziu de 137% para apenas 1,2% a vantagem norte- americana no setor.

O marco do agronegócio nacional coincide com o início da aplicação da nova tarifa comercial de 25% imposta pelo governo de Donald Trump, que entra em vigor nesta quarta-feira, 22.

A medida americana, no entanto, deixou de fora mais de 2.100 itens brasileiros considerados estratégicos para o mercado dos EUA, incluindo carne bovina, suco de laranja, açaí, água de coco e componentes para aeronaves.

Diferença entre as duas potências

De acordo com as estatísticas oficiais analisadas pela publicação britânica, as vendas externas do agronegócio dos Estados Unidos somaram US$ 171 bilhões em 2025. No mesmo período, as exportações do setor no Brasil atingiram US$ 169 bilhões, deixando os dois países separados por uma margem de apenas US$ 2 bilhões.

Em 2021, essa distância era de US$ 56 bilhões.

A trajetória de alta do Brasil segue em ritmo acelerado. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o País registrou faturamento recorde de US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026 com os embarques do agro, o que representa um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os principais destaques foram as vendas de soja, carne bovina, frango e algodão.

Guerra comercial

O Financial Times avalia que a disputa comercial entre Estados Unidos e China atuou como o principal catalisador para a virada brasileira. Com a imposição de uma tarifa retaliatória de 10% aplicada pela China sobre a soja norte-americana, os compradores chineses redirecionaram suas encomendas em massa para o Brasil, que oferecia preços mais competitivos.

Dados da Administração Geral de Alfândega da China (GACC) indicam que as importações de soja brasileira deram um salto de 83% no primeiro bimestre de 2026 em relação a igual período do ano passado. Atualmente, o mercado chinês absorve 33% de tudo o que o agronegócio brasileiro exporta, somando US$ 55,3 bilhões em 2025.

Em contrapartida, levantamentos da American Farm Bureau Federation projetam que produtores americanos de soja e milho enfrentarão prejuízos médios por hectare nos próximos anos devido ao encarecimento de suas commodities no exterior.

A força do agro

A força do agronegócio brasileiro não é fruto do acaso ou mero reflexo das políticas comerciais dos Estados Unidos, mas o resultado de um processo construído ao longo de décadas, ressalta o Financial Times.

O jornal britânico lembra que o País, atualmente líder mundial nas exportações de café, cana-de-açúcar e suco de laranja, era dependente de importações para abastecer sua própria população até a década de 1970. A virada ocorreu quando o Brasil passou a explorar o potencial de seu território, tornando-se capaz de colher duas ou até três safras no mesmo ano.

Essa transformação foi impulsionada pela abundância e pelo menor custo das terras em áreas de expansão agrícola, além do avanço tecnológico no campo. A correção de solos pobres em nutrientes e o desenvolvimento genético de lavouras adaptadas ao clima tropical permitiram cultivar regiões anteriormente tidas como inférteis.

Em entrevista ao periódico, Raphael Bulascoschi, analista da corretora de commodities StoneX, destacou que “esse modelo de produção contínua ajuda a diluir os custos fixos e, normalmente, melhora as margens das propriedades rurais”.

Apesar dos avanços, analistas consultados pelo Financial Times ponderam que o setor agrícola brasileiro precisa se preparar para um cenário de desafios. Entre os principais pontos de atenção estão as taxas de juros elevadas no ambiente interno, a retração nos preços globais das commodities e o encarecimento dos fertilizantes importados — insumos dos quais o país é altamente dependente e que sofreram forte impacto com os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio.