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Clima custa R$ 6 bi por ano à agricultura amazônica

Clima custa R$ 6 bi por ano à agricultura amazônicaRegião pode ampliar sua produção sem abrir novas áreas de floresta. Foto: Agência Brasil

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Resumo

  • Secas, cheias e incêndios geraram perdas de R$ 6 bilhões por ano (2021-2024) na agricultura da Amazônia Legal, segundo estudo do Amazônia 2030.
  • O problema não é falta de terra, mas a baixa produtividade das áreas já abertas.
  • Apenas 10% dos produtores do Norte têm assistência técnica e só 9% dos agricultores familiares acessam crédito.
  • É possível crescer recuperando pastagens degradadas, sem derrubar mais floresta.
  • O desmatamento reduz as chuvas e prejudica a própria agricultura.
  • O estudo recomenda: Financiamento estável para pesquisa e adaptação climática, apoio ao pequeno produtor (crédito, compras públicas e infraestrutura);  logística eficiente que não estimule novo desmatamento; pesquisa focada em riscos climáticos; e valorização da floresta em pé para garantir o regime de chuvas.

Secas prolongadas, cheias e incêndios cada vez mais frequentes já cobram um preço alto da agricultura na Amazônia Legal: os prejuízos agropecuários somaram, em média, R$ 6 bilhões por ano entre 2021 e 2024, segundo o estudo “Agricultura na Amazônia Legal: condições de produtividade, riscos climáticos e propostas para produzir melhor em áreas já abertas”, publicado pelo Amazônia 2030.

É o resultado de secas que reduzem a produção e travam a navegação dos rios, cheias que comprometem transporte e comercialização, e incêndios que destroem lavouras, pastagens e afetam a saúde da população.

Diante desse cenário, o estudo chega a uma conclusão central: a Amazônia Legal pode ampliar sua produção agropecuária sem a necessidade de converter novas áreas de floresta. Segundo os autores, o principal desafio da agricultura amazônica não é a falta de terras disponíveis, mas a baixa produtividade em grande parte das áreas já abertas.

A experiência de diferentes regiões da Amazônia mostra que, quando produtores têm acesso simultâneo a pesquisa, assistência técnica, crédito, infraestrutura, armazenagem e mercados consumidores, é possível alcançar níveis de produtividade comparáveis aos das regiões mais produtivas do país — como demonstram a produção de grãos em Mato Grosso e o aumento da produtividade da mandioca em Rondônia.

Limitações para produzir

Apesar desses casos, a maior parte dos agricultores da região ainda enfrenta limitações para produzir mais: apenas 10% dos estabelecimentos rurais da região Norte recebem assistência técnica, e somente 9% dos agricultores familiares conseguem acessar crédito rural.

A distância dos mercados consumidores, a deficiência logística e as dificuldades para participar de programas de compras públicas também restringem o desenvolvimento da produção regional.

O estudo aponta ainda que o desmatamento reduz a reciclagem de umidade, diminui as chuvas e aumenta os riscos para a própria atividade agropecuária — um efeito que retroalimenta os prejuízos climáticos descritos acima.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores destacam que as exigências ambientais passaram a influenciar diretamente a competitividade do setor, com restrições ao crédito rural para imóveis com irregularidades ambientais e novas regras internacionais de rastreabilidade.

Estudos citados no relatório mostram que a expansão da produção prevista para os próximos anos pode ocorrer nas áreas já desmatadas, especialmente por meio da recuperação de pastagens degradadas.

Cinco recomendações do estudo

Com base nas evidências reunidas, os autores apresentam cinco propostas para orientar políticas públicas e investimentos na Amazônia Legal:

  • Criar fontes estáveis de financiamento para pesquisa, assistência técnica e adaptação às mudanças climáticas;
  • Fortalecer a resiliência dos pequenos produtores por meio de compras públicas, assistência técnica e infraestrutura local;
  • Priorizar investimentos em infraestrutura que reduzam custos de produção sem estimular novos desmatamentos;
  • Ampliar a pesquisa voltada à adaptação da agricultura amazônica aos riscos climáticos;
  • Tratar a floresta em pé como uma infraestrutura essencial para manter o regime de chuvas, reduzir riscos climáticos e sustentar a produção agropecuária.

Para os autores, o fortalecimento da agricultura amazônica depende menos da criação de novos instrumentos e mais da coordenação das políticas já existentes.

Fonte: Com informações do Imazon