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Seguradoras testam volta do seguro de renda para produtor

Seguradoras testam volta do seguro de renda para produtorEstratégia considera alta de preços e clima adverso. Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Resumo

  • Seguradoras voltaram a ofertar seguro de renda em projetos-piloto, modalidade interrompida desde a safra 2020/21, quando indenizações elevadas levaram parte do mercado a deixar o segmento, segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
  • As contratações de seguro rural caíram 13,9% de janeiro a maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados da FenSeg.
  • O orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2026 começou em R$ 1,01 bilhão, recuou para R$ 935,5 milhões após dois cancelamentos e sofreu bloqueio de R$ 461,7 milhões em junho.
  • A subvenção federal cobre cerca de 30% do valor da apólice; sem o recurso completo, o custo do prêmio recai integralmente sobre o produtor.
  • O projeto de lei 2951, em tramitação no Congresso, cria fundo de catástrofe e blinda o PSR de contingenciamentos, ponto apontado por especialistas como o principal gargalo do mecanismo.
  • A contratação de apólices segue concentrada na Região Sul, e o setor aponta a granularização de dados agropecuários como caminho para levar o produto a outras culturas e regiões.

 

Por André Garcia

O seguro de renda, modalidade parada desde a safra 2020/21, voltou a ser ofertado por seguradoras em projetos-piloto. A retomada responde à queda nos preços das commodities, hoje um dos principais fatores de aperto na margem do produtor, ao lado de eventos climáticos adversos, custos elevados, juros altos e restrição ao crédito.

O movimento foi apresentado no World Climate Summit, na última semana, e detalhado em publicação da Valor Econômico. Diferentemente do seguro de produtividade, que indeniza a quebra de lavoura, o seguro de renda protege a receita esperada — cobre também a hipótese de o produtor colher bem e vender mal.

A modalidade foi interrompida quando muitas seguradoras deixaram o segmento após pagarem níveis elevados de indenização.

“O mercado tem que voltar a ter seguro de renda”, disse Daniel Nascimento, presidente da comissão rural da FenSeg e gerente executivo de seguros rurais da BrasilSeg, durante o evento.

Diversificar produto reduz risco dos dois lados

Nascimento afirmou que a volta do seguro de renda é vista como diversificação de portfólio, e não como aposta em massificação imediata.

“Algumas seguradoras já estão se aventurando e passaram a ofertar o seguro de renda em projetos-piloto. Pode não ter uma massificação deste tipo de produto, mas é uma forma de diversificar o risco, diante da necessidade de ter novos produtos, novos serviços”, afirmou o executivo ao Valor.

Para ele, o avanço depende de parcerias público-privadas mais firmes e de um banco de dados agropecuários mais robusto, capaz de sustentar produtos novos.

Dado detalhado muda o preço da apólice

O detalhamento da informação é hoje o gargalo técnico. Sem histórico granular, a seguradora precifica todos os produtores pela mesma régua — o que penaliza justamente quem investe em manejo, tecnologia e gestão de risco.

“Hoje, o grande desafio do mercado segurador é fazer o seguro por talhão, por exemplo. As seguradoras têm que se apropriar de informações para dar melhores condições ao produtor e, de fato, tratar diferente e não igual a todo mundo”, ponderou Nascimento.

Coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), Guilherme Bastos avaliou que a inteligência artificial pode cumprir o papel de “granularizar” essas bases.

O resultado prático seria ampliar a oferta para culturas além dos grãos e tornar o produto mais atrativo em regiões hoje pouco cobertas. A contratação de apólices segue concentrada na Região Sul.

Orçamento do PSR encolhe e limita o acesso

A previsibilidade do recurso público é o segundo gargalo. O orçamento do PSR para 2026 era de R$ 1,01 bilhão. Dois cancelamentos, de R$ 25,7 milhões e de R$ 56,3 milhões, reduziram a verba a R$ 935,5 milhões. Em junho, houve ainda bloqueio de R$ 461,7 milhões.

No formato atual, a subvenção federal paga cerca de 30% da apólice. Sem o recurso integral, o custo do prêmio sobe para o produtor em um ano de endividamento alto e margem apertada — combinação que já aparece na adesão.

De janeiro a maio deste ano, as contratações de seguro rural caíram 13,9% em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados da FenSeg. Especialistas apontam o projeto de lei 2951, em tramitação no Congresso, como saída: o texto cria um fundo de catástrofe e blinda os recursos do PSR de eventuais contingenciamentos.

Gestão de risco

Bastos defendeu que a discussão precisa ultrapassar o valor da subvenção.

“Precisamos parar de pensar somente no orçamento do PSR. [Precisamos] começar a mudar o olhar sobre o Plano Safra e olhar com mais devoção para a expansão da utilização de instrumentos de gestão de risco, começando por seguro rural. Isso tem que estar no DNA do governo”, disse o especialista.

O head de ESG Agro do Itaú BBA, João Adrien, seguiu a mesma linha ao tratar da inadimplência no campo.

“Se tivéssemos focados em seguro [no Plano Safra], não estaríamos como estamos agora [com inadimplência no campo]”, afirmou o executivo durante o World Climate Summit.

Saiba mais

O que é o PSR? – O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural é o mecanismo pelo qual o governo federal paga parte do custo da apólice contratada pelo produtor junto a uma seguradora privada, hoje algo em torno de 30% do prêmio, com percentuais que variam conforme a cultura e a modalidade. O produtor escolhe a seguradora e o produto, e o desconto é aplicado direto na contratação.

 

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