Resumo
- As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia somaram US$ 12,21 bilhões nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo Mercosul-UE, alta de 14,8% em valor.
- Em volume, os embarques para o bloco europeu atingiram 17,74 milhões de toneladas entre maio e setembro, um avanço de 8,1% em relação ao ano anterior.
- O desempenho foi impulsionado pelas vendas do complexo soja, carnes, produtos apícolas e frutas, marcando o início do aproveitamento das preferências tarifárias.
- Os maiores crescimentos em receita foram nos produtos apícolas (mel) com alta de 367%, produtos oleaginosos (exceto soja) com 161% e carnes com avanço de 103,5% em valor (170% em volume).
- O complexo soja manteve a liderança na pauta com US$ 4,19 bilhões (alta de 34,2%), seguido por produtos florestais (US$ 1,48 bilhão, +23%) e frutas (US$ 315 milhões, +15%).
- Entre os produtos individuais, o abacate teve o maior crescimento percentual (+421,2% em valor), acompanhado por altas expressivas no óleo de milho bruto (+266,3%), café torrado (+91,6%) e manga (+31,2%).
- O superávit da balança comercial do agro com a União Europeia cresceu 17%, saltando para US$ 10,54 bilhões no período.
- Para atender às regras ambientais como a EUDR, produtores contam com o relatório RASOE da Plataforma Agro Brasil + Sustentável para comprovar a regularidade socioambiental das propriedades.
Nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia — em vigor desde 1º de maio de 2026 —, as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco europeu alcançaram US$ 12,21 bilhões. O valor representa um crescimento de 14,8% entre maio e setembro na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Em volume, o Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 países da União Europeia no período, uma alta de 8,1% em relação às 16,42 milhões de toneladas registradas no intervalo anterior. O avanço foi impulsionado pelo desempenho do complexo soja, carnes, produtos apícolas e frutas, marcando o início do uso das preferências tarifárias do acordo.
De acordo com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, os números comprovam a capacidade do setor em atender às exigências internacionais.
“O crescimento expressivo e a diversidade das exportações para a União Europeia demonstram a competitividade do agronegócio brasileiro, a capacidade de diálogo e a presença cada vez mais forte do nosso setor produtivo no mercado internacional”, destacou.
Destaques por setor e produto
Entre os segmentos que apresentaram os maiores avanços em receita, destacam-se:
- Produtos apícolas (mel): alta de 367% em valor.
- Produtos oleaginosos (exceto soja): avanço de 161% em valor.
- Carnes: crescimento de 103,5% em valor e 170% em volume (saltando de 101 mil para 272 mil toneladas).
- Complexo soja: o principal item da pauta exportadora atingiu US$ 4,19 bilhões, uma alta de 34,2% em valor e 20,5% em volume. A soja em grão cresceu 49% em valor, enquanto o farelo subiu 22,5%.
- Produtos florestais: alta de 23% em valor, alcançando US$ 1,48 bilhão.
- Frutas (incluindo nozes e castanhas): avanço de 15% em valor (US$ 315 milhões).
Entre os destaques individuais por produto, o abacate liderou a expansão percentual, disparando 421,2% em valor (de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões) e 433,7% em volume. O óleo de milho bruto avançou 266,3% em valor (US$ 129,35 milhões). Na fruticultura, a manga cresceu 31,2% em valor e a maçã 28,8%. No setor cafeeiro, o café torrado subiu 91,6% em valor (116,5% em volume) e o café solúvel aumentou 19% em valor.
Balança comercial e exigências ambientais
Mesmo com o aumento de 3,3% nas importações brasileiras de produtos agropecuários europeus (somando US$ 1,67 bilhão), o saldo da balança comercial do agronegócio com a União Europeia manteve-se amplamente superavitário. O superávit brasileiro cresceu 17%, passando de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões no período.
Além das tarifas, a manutenção e expansão das vendas dependem da conformidade com as regras sanitárias e ambientais europeias, como o regulamento de desmatamento (EUDR). Para apoiar os produtores, a Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S) passou a emitir o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE), aprovado pela Camex, que reúne informações oficiais sobre a regularidade ambiental e social das propriedades rurais.

