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Com pouca chuva, Pantanal registra alta de focos de incêndio

Com pouca chuva, Pantanal registra alta de focos de incêndioPantanal registrou 69 focos ativos neste ano. Foto: Bruno Rezende/ Governo MS

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O monitoramento da Operação Pantanal registrou um aumento recente nos focos de incêndio no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Atualmente, o fogo atinge o entorno do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, ao norte da Serra da Bodoquena, além de áreas na região do Nabileque e ao norte de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai.

O alerta para o ano de 2026 é reforçado pela combinação de uma vegetação densa, recuperada após os grandes incêndios de 2024, com um período prolongado de estiagem.

De acordo com o sistema BDQueimadas, o Pantanal registrou 69 focos ativos entre 1º e 26 de janeiro de 2026, volume que mais que dobrou em relação aos 34 focos do mesmo período de 2025.

Em resposta, o Corpo de Bombeiros Militar realiza o combate direto e o planejamento logístico com órgãos parceiros.

Na região do Morro do Azeite, equipes em solo recebem o suporte da aeronave Air Tractor, utilizada para identificar focos e direcionar o combate. O fluxo de trabalho atual tenta consolidar medidas adotadas após 2024 — ano de recordes negativos — que incluíram a instalação de bases avançadas e o uso de novas tecnologias de monitoramento.

O major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA), contextualiza a gravidade do momento.

“Historicamente há incêndios nessa época do ano, mesmo durante o período de chuvas, mas em 2026 os focos têm se apresentado com maior intensidade. Por isso, já estamos nos preparando estruturalmente para garantir capacidade de resposta, especialmente por meio da unidade de Corumbá, que tem empregado equipes no combate direto aos incêndios no Pantanal”. O oficial detalha que a estratégia se divide entre o enfrentamento em campo e a articulação institucional.

Os indicadores de 2025 mostraram uma retração significativa: foram 1.844 focos de calor até dezembro, o menor número desde o início da série histórica em 1998. A área atingida pelo fogo também caiu de 2,3 milhões de hectares em 2024 para 202.678 hectares no ano passado. O major Teixeira reforça a intenção de manter o rigor técnico para enfrentar a estiagem de 2026.

“As ações adotadas em 2025, especialmente a integração entre os órgãos do sistema ambiental, continuam em 2026. Estamos promovendo reuniões e alinhando planos operativos para que, no período mais crítico da seca, tenhamos condições de atuar de forma eficiente e alcançar resultados semelhantes aos do ano passado, quando chegamos próximo aos melhores índices históricos”.