Por décadas, a batalha contra o desmatamento na Amazônia foi travada no chão da floresta, entre fiscais do Ibama e motosserras. Agora, o front mudou para o ar-condicionado das agências bancárias. Entra em vigor nesta quarta-feira, 1/4, uma resolução que obriga as instituições financeiras a cruzarem dados de satélite antes de liberar crédito rural subsidiado. Se houver rastro de desmate após 2019 sem autorização legal, o dinheiro não sai.
“Transformamos cada gerente de banco em um fiscal do desmatamento ilegal”, resume André Lima, secretário do Ministério do Meio Ambiente.
A estratégia é cirúrgica: retirar o oxigênio financeiro de quem opera na ilegalidade. O alvo é gigante, alcançando cerca de US$ 53 bilhões em empréstimos federais — um terço de todo o crédito rural do país.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) já articula uma contraofensiva no Congresso, alegando que os bancos estão assumindo um papel policial que não lhes pertence e questionando a precisão dos satélites.
Entidades do setor financeiro, porém, afirmam que a medida reforça compromissos de sustentabilidade já existentes. Exemplos não faltam. Em 2008, o governo bloqueou crédito para propriedades que receberam multas ambientais. Em 2024, uma nova regra proibiu crédito para fazendas localizadas em áreas protegidas.
Enquanto o setor produtivo teme pela burocracia, o mercado financeiro vê a regra como um “seguro” contra calotes de produtores que, no futuro, poderiam ser banidos das cadeias de exportação por crimes ambientais.

