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OMM aponta desastres climáticos sem precentes no Centro-Oeste

OMM aponta desastres climáticos sem precentes no Centro-OesteSeca fez explodirem incêndios no Pantanal. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por André Garcia

O Centro-Oeste brasileiro foi palco de alguns dos eventos climáticos mais severos de 2024, segundo o relatório “State of the Global Climate“, divulgado nesta semana pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). O ano, considerado o mais quente da história, registrou secas históricas e ondas de calor sem precedentes na região, refletindo a escalada global dos extremos climáticos.

Para se ter ideia, entre 16 e 23 de agosto, uma onda de calor inédita elevou as temperaturas em Mato Grosso para mais de 42°C. Em paralelo, o Pantanal enfrentou a pior seca em 70 anos, agravando o risco de incêndios florestais e impactando ecossistemas e atividades econômicas da região. O relatório aponta que desde abril a seca vem se intensificando em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Mas estes não foram os únicos estados afetados. Conforme o relatório, o Brasil como um todo registrou extremos inéditos. No Amazonas, a estiagem foi uma das mais severas já registradas, com o Rio Negro atingindo o nível mais baixo da história em Manaus. O País também viveu o setembro mais quente desde 1961, com médias 1,7°C acima do normal, e episódios de calor intenso desde o início do ano em estados do Norte, Nordeste e Sul.

A linha do tempo climática de 2024 mostra a extensão dos impactos: em janeiro e fevereiro, chuvas acima da média causaram transtornos no Nordeste e na Baixada Fluminense; em abril e maio, o Rio Grande do Sul sofreu com enchentes históricas, com acumulados que superaram em mais de 700 mm a média mensal em cidades da Serra Gaúcha. Já em outubro e dezembro, ciclones tropicais e extratropicais voltaram a afetar o Sul, com ventos superiores a 100 km/h e prejuízos em dezenas de municípios.

Diante disso, a OMM reforça que eventos como esses exigem medidas urgentes de adaptação e de fortalecimento dos sistemas de alerta precoce. Isso porque, cerca de um terço da população mundial — em especial nos países em desenvolvimento — não conta com proteção adequada contra desastres naturais, enquanto a continuidade das emissões de gases de efeito estufa ameaça manter ou até agravar o cenário.

“Mesmo com a melhoria da adaptação, o clima continuará mudando se as causas subjacentes não forem enfrentadas. De acordo com o IPCC, as políticas atuais estabelecidas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) não são suficientes. Sem reduções imediatas e profundas nas emissões de gases de efeito estufa em todos os setores e regiões, será impossível limitar o aquecimento a menos de 1,5°C”, diz o relatório.

Linha do tempo climática de 2024 no Brasil

Janeiro:

  • Chuvas extremas na Baixada Fluminense (RJ), com acumulado de 488 mm em Duque de Caxias, sendo 162 mm em apenas 24h.
  • Chuvas acima da média em áreas do Norte e Nordeste, influenciadas pela ZCAS e canal de umidade.

Fevereiro:

  • Chuvas intensas no Ceará e no Piauí, com Fortaleza registrando mais que o dobro da média histórica mensal (484,5 mm).
  • Início da intensificação da seca no Amazonas e no Centro-Oeste.

Março:

  • Primeira onda de calor significativa do ano no Centro-Sul e Norte do país, com máximas acima de 40°C em Roraima, Ceará e Paraná.

Abril:

  • Chuvas intensas no Rio Grande do Sul, com destaque para Bento Gonçalves e Rio Pardo superando 140 mm em um único dia.

Maio:

  • Enchentes históricas no RS, com Caxias do Sul registrando 845 mm no mês (mais de 700 mm acima da média).
  • Novas tempestades entre 11 e 13 de maio agravaram a situação em cidades da Serra Gaúcha e Santa Catarina.

Agosto:

  • Onda de calor sem precedentes no Centro-Oeste. Cuiabá (MT) atingiu 42,2°C, com recordes também no Tocantins.
  • Avanço da seca severa no Pantanal e em outras áreas do Centro-Oeste.

Setembro:

  • Setembro mais quente da série histórica brasileira desde 1961, com anomalia de +1,7°C.
  • Persistência de calor intenso em grande parte do país.

Outubro:

  • Ciclone extratropical atinge o Sul e parte do Sudeste, com ventos de até 126 km/h em SP e RS, afetando 51 municípios no RS.

Dezembro:

  • Tempestade subtropical Biguá causa chuvas fortes e ventos intensos no centro-leste do Rio Grande do Sul.

 

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