A parceria entre o CAT Sorriso e a unidade Agrossilvipastoril da Embrapa tem impulsionado práticas sustentáveis em Mato Grosso, alcançando resultados expressivos desde a pequena agricultura familiar até as grandes propriedades.
Por meio de um acordo de cooperação técnica, as instituições unem conhecimento científico e experiência prática para implementar sistemas regenerativos, como o Sistema Agroflorestal (SAF) e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), atendendo desde a agricultura familiar até grandes produtores.
O trabalho conjunto foca na transferência de tecnologia, oferecendo aos produtores acesso direto a vitrines tecnológicas, viveiros de mudas e casas de sementes na sede da Embrapa em Sinop. Segundo Cristina Delicato, coordenadora do CAT, a proximidade com as inovações da Embrapa permite que o agricultor visualize, na prática, os benefícios do sistema regenerativo e das coberturas de solo.
“É o produtor quem ganha com essa parceria. Ele passa a ter ainda mais acesso às inovações desenvolvidas pela Embrapa. Por meio dessas visitas, poderá ver de perto as coberturas propostas no sistema regenerativo”, disse Cristina.
Realidades transformadas
A aplicação prática dessa tecnologia já transforma realidades no Assentamento Jonas Pinheiro, onde áreas de recomposição ambiental estão se tornando florestas produtivas. Segundo a chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril, Laurimar Gonçalves Vendrusculo, o foco é estratégico.
“Em função da necessidade de recomposição florestal no assentamento, uma das alternativas é ir além da simples recomposição, promovendo a implantação de florestas produtivas”.
Já na pecuária leiteira, o consórcio entre pastagem e árvores tem sido o diferencial para a produção de queijos artesanais de alta qualidade, como ocorre no sítio Vila Láctea. O pesquisador Flávio Jesus Wruck detalha que a integração cria um ciclo de benefícios mútuos.
“A floresta ajuda a pecuária, por meio da ambiência e da sombra; os dejetos da pecuária adubam o solo, melhoram a pastagem e também adubam a floresta. A simbiose dessas duas atividades promove a diversificação da produção na pequena propriedade”.
Troca de experiências e legado
A aliança entre o CAT e a Embrapa já soma mais de 20 anos de história, consolidada em eventos que priorizam o diálogo direto com quem vive no campo. De acordo com Flávio Wruck, a união de forças é o que gera escala para os resultados.
“É uma grande oportunidade trabalhar juntos nesses eventos. A equipe do CAT tem um histórico e um arcabouço técnico importantes, além de uma ótima relação com os produtores rurais. A Embrapa contribui com tecnologias, inovações e resultados de pesquisas. Temos muitos resultados para apresentar”.
Para Laurimar Vendrusculo, a eficácia do trabalho reside no retorno que vem das porteiras para dentro.
“Essa troca de experiências entre pesquisadores e produtores rurais é fundamental. Os agricultores relatam o que funcionou, o que não funcionou, e isso é muito prático e importante para o dia a dia”, conclui a chefe-geral.
Com foco em agricultura regenerativa e equilíbrio climático, o CAT Sorriso segue ampliando sua rede de parcerias para projetos que incluem desde a certificação de soja sustentável até a preservação de nascentes na região.

