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Perda de água no país é crítica e afeta diferentes cadeias produtivas

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Por Vinicius Marques

Na última segunda-feira (07/02), em transmissão ao vivo pelo canal de youtube do Valor Econômico, o engenheiro florestal Tasso Azevedo — Coordenador do projeto Mapeamento Anual da Cobertura do Solo no Brasil (MapBiomas) — apontou que o país já perdeu 15,7% da sua superfície de água entre 1990 e 2020, segundo levantamento. O especialista disse ainda que, pelo fato do Brasil ser o país com maior quantidade de água doce disponível (6% da superfície e 12% do volume total do planeta), os dados são críticos e afetam diferentes cadeias produtivas.

“Isso impacta a geração de energia elétrica, a água disponível para a agricultura (um dos nossos motores para a economia) e também impacta o abastecimento das cidades”, declara o engenheiro.

Um dos motivos que, aos poucos, afeta o nível de superfície de água doce é a abertura de reservatórios em quantidade, local e dimensões inapropriadas. Azevedo explica que, a partir do momento que o produtor sente a queda nas taxas de pluviosidade, ele naturalmente busca abrir novas áreas para acúmulo e uso em períodos de seca. “Mas aí tem ocorrido o efeito inverso”, diz o coordenador do Mapbiomas. 

Na fronteira entre o Cerrado e a Amazônia, por exemplo, o Mapbiomas identificou mais de 20 mil novos corpos de água abertos por atividade humana — a grande maioria sem cadastro em lugar algum. Isso porque muitos produtores usam indevidamente, e sem fiscalização, áreas próximas a cabeceiras de rios para os novos reservatórios, causando a diminuição da superfície dos cursos de água natural. Essa redução ocasiona a alteração no regime de chuvas das florestas, aumentando assim a ocorrência de estiagens e a consequente abertura de novos reservatórios inapropriados.

“Quanto mais seco fica, mais reservatório se faz, menos água fica disponível para as árvores, menos evapora, menos chove, tem mais seca, fazem mais reservatórios. Ou seja, pode ser que estejamos no meio de um processo de secura da Amazônia. Estamos invertendo a maravilhosa máquina de chuva da Amazônia”, alertou.

Assim, é importante que nós, priorizando a grandeza e vida longa de nosso país, identifiquemos reservatórios abertos em locais impróprios e cobremos do estado as devidas ações. Afinal, a seca decorrente da redução de superfície de água afeta a todos os produtores e comunidades locais, não apenas àqueles que agem de maneira irresponsável.