Por André Garcia
Reduzir quase um terço dos custos de produção pode ser a diferença entre fechar a safra no azul ou no vermelho para muitos sojicultores brasileiros. É o que prometem os bioinsumos, alternativa que avança no campo enquanto fertilizantes importados seguem pressionando as margens a cada novo conflito entre nações produtoras.
“A maior parte dos bioinsumos pode ser produzida dentro das propriedades, com eficiência e segurança. Muitos agricultores que os utilizam já atingiram até 30% de redução nos custos de produção”, afirma Reginaldo Minaré, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS), em entrevista exclusiva ao Gigante 163.
Os ganhos vão além da economia direta. Com menos agrotóxico e fertilizante químico, a saúde e a biodiversidade do solo melhoram ao longo do tempo, o que tende a sustentar ou elevar a produtividade nas safras seguintes.
“Os bioinsumos substituem alguns fertilizantes e agrotóxicos, como são os casos dos inoculantes na substituição do fertilizante nitrogenado. Em outros casos, auxiliam a redução desses químicos. Temos várias configurações com o uso dos bioinsumos”, acrescenta ele.
A ciência comprova
De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a adoção em larga escala da solubilização biológica de fosfato, que libera nutrientes já presentes no solo, poderia gerar economia entre R$ 3,8 bilhões e R$ 15,7 bilhões por safra de soja, com redução de 30% a 50% no uso de fertilizantes fosfatados importados.
Já um estudo da Embrapa Soja e do IDR-Paraná, conduzido na safra 2024/2025, mostrou que a coinoculação das bactérias Bradyrhizobium e Azospirillum elevou em 8,4% a produtividade da soja em 22 lavouras comerciais. Com ganho médio de 5,1 sacas por hectare, as áreas tratadas superaram tanto a média estadual quanto a nacional.
“O uso adequado da inoculação e coinoculação aumentou a produtividade da soja e isentou os agricultores de custos com a adubação nitrogenada na cultura, garantindo aumento da rentabilidade e benefícios ambientais para toda a sociedade”, afirmam o pesquisador André Prando, da Embrapa Soja, e Edivan Possamai, do IDR-Paraná.
Solução porteira adentro
Os bioinsumos se destacam por uma característica que os insumos químicos não têm: podem ser produzidos dentro das próprias propriedades, sem necessidade de registro junto aos órgãos competentes, desde que não sejam comercializados.
“São produtos que podemos produzir dentro de nossas fronteiras, não precisamos importá-los. Inclusive, a maior parte deles o agricultor pode produzir até mesmo dentro de sua propriedade, com eficiência e segurança”, diz Minaré.
Esse direito foi reafirmado no ano passado, quando o Congresso Nacional derrubou vetos à Lei do Autocontrole (Lei 14.515/2022), restabelecendo a isenção de registro. Para a Associação Mato-grossense dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), a medida garante autonomia ao produtor e sustentabilidade à produção.
“A derrubada dos vetos atende não só o anseio dos produtores, mas também traz modernidade e sustentabilidade, já que essa técnica tem sido amplamente utilizada aqui em nosso país, diminuindo a utilização de pesticidas químicos e atendendo também o anseio da sociedade”, avaliou à época o presidente da entidade, Lucas Beber.
Primeiro passo
O Plano Safra 2025/2026 incluiu os bioinsumos entre as práticas elegíveis ao RenovAgro, linha com os menores juros do plano para a agricultura empresarial. Produtores que adotam a tecnologia também têm direito a redução de até um ponto percentual na taxa de juros de custeio.
Mas, para a produção própria, é preciso adotar padrões de qualidade e pureza no processo de multiplicação desses microrganismos, evitando a contaminação do ambiente e do homem. Para quem quer dar o primeiro passo, a Embrapa lançou um curso on-line gratuito sobre o tema, que pode ser acessado clicando aqui.
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