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Petrobras: O lucro é global, mas a conta é do Brasil

Petrobras: O lucro é global, mas a conta é do BrasilBrasileiro sente o peso de um barril de petróleo. Foto: Agência Brasil

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A Petrobras deu um recado claro ao mercado na última sexta-feira: entre o papel social e o balanço financeiro, a saúde dos seus números ainda fala mais alto. Ao anunciar um aumento de R$ 0,38 no diesel, a estatal repassou o impacto da guerra no Oriente Médio diretamente para as bombas, deixando para o governo federal a tarefa de “apagar o incêndio”.

A pergunta é: de que lado a Petrobras realmente está? Para entender, basta olhar para a sua mesa de acionistas.

Embora o governo brasileiro seja o controlador político da Petrobras (com mais de 50% das ações com direito a voto), a maior parte do lucro gerado pela empresa tem outro destino. Quando olhamos para o capital total, os investidores estrangeiros possuem a maior fatia (46%), superando os 37% detidos pela União e pelo BNDES somados.

Isso explica por que a Petrobras vive sob uma tensão constante: o governo usa seu poder de mando para tentar proteger o mercado interno, mas a estrutura de capital da empresa exige que ela continue gerando lucros recordes para satisfazer acionistas, em sua maioria, de fora do País.

Enquanto isso, o brasileiro sente o peso de um barril de petróleo que já rompeu a barreira dos US$ 100.

O “amortecedor” da crise

Ciente do risco político e inflacionário da escalada do preço do petróleo, o Palácio do Planalto agiu rápido com um pacote de medidas agressivas para neutralizar o golpe da estatal. O governo decidiu “queimar” arrecadação e usar dinheiro público para segurar o preço na marra. Zerou  o PIS/Cofins sobre o diesel para reduzir o preço em cerca de R$ 0,32.

Além disso, criou uma subvenção (MP 1340/26) para compensar importadores, desde que o desconto chegue ao consumidor e ainda criou criou uma alíquota de 12% sobre o óleo bruto exportado, tentando forçar o refino nacional.

Lucro não fica no Brasil

A Petrobras opera como uma empresa global focada em rendimentos, protegendo os interesses de seus acionistas internacionais. Do outro, o Estado Brasileiro assume o custo social e financeiro, abrindo mão de bilhões em impostos e criando subsídios para garantir que o frete e a comida não disparem.

Ou seja, Brasil paga a conta para manter a engrenagem girando, enquanto o lucro real segue viagem para o exterior.