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Excesso de chuva desafia colheita da soja em Mato Grosso

Excesso de chuva desafia colheita da soja em Mato Grossoprevisão é de mais chuva. Foto: Taiguara Luciano/Aprosoja MT

Produtores jovens e qualificados impulsionam agro sustentável
Atraso no plantio de soja pode trazer desafios trabalhistas
Cenário desolador: Seca faz Aprosoja-MT prever super quebra de safra

O que deveria ser o momento de colher os frutos de uma safra estratégica para Mato Grosso transformou-se em uma corrida contra o tempo e a umidade. O excesso de chuvas nas últimas semanas congelou as operações de campo em diversas regiões, trazendo prejuízos que vão da perda de qualidade do grão à desorganização financeira das propriedades.

De acordo com o levantamento mais recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até o dia 6 de fevereiro, o estado havia colhido 39,61% da área total. Embora o avanço semanal tenha sido de 11,03 pontos percentuais, o número esconde um cenário de apreensão: acumulados de chuva entre 90 mm e 150 mm em apenas quinze dias saturaram o solo e as plantas.

“Não existe decisão boa”

Em Vera, no norte do estado, o produtor Sandro Mick descreve um cenário de paralisia. Desde o último domingo, as máquinas não conseguem entrar nas lavouras. O resultado é o pesadelo de qualquer agricultor: a soja começando a brotar e apodrecer ainda no pé.

“A soja está abrindo vagem, brotando e dando grão avariado. Estamos tirando da lavoura com 30% de umidade para evitar perdas maiores. Se deixar, ela debulha. Como não temos armazém próprio, todas as decisões são ruins agora”, desabafa o produtor.

O problema remonta ao início do ciclo. Um atraso no plantio em setembro, causado pela falta de chuvas, forçou uma concentração de áreas prontas para colher agora. Com a chegada da frente úmida, tudo “chegou junto”, sobrecarregando a logística e a capacidade de secagem.

Efeito dominó

Para a Aprosoja MT, o impacto ultrapassa as porteiras. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, alerta que a umidade excessiva compromete o peso final do grão, reduzindo o faturamento. Somado a isso, o diretor administrativo da entidade Diego Bertuol aponta para o risco de quebra de contratos.

“O atraso dificulta o cumprimento de contratos firmados e compromete o fluxo de caixa no início da safra, que é o período em que o produtor precisa organizar suas finanças e honrar compromissos”, explica Bertuol.

O cenário também projeta sombras sobre a segunda safra de milho. Embora o plantio do cereal já cubra 28% da área — ritmo superior ao ano passado —, a tendência é de desaceleração imediata. Sem colher a soja, não há espaço para plantar o milho dentro da janela ideal, o que pode reduzir o potencial produtivo da segunda safra.

Pressão Fitossanitária

Enquanto a chuva impede o trabalho das máquinas, ela favorece o surgimento de pragas e doenças nas áreas de ciclo tardio. A Aprosoja MT monitora o aumento da pressão de:

Com previsões de novos acumulados de até 95 mm para a próxima semana, o setor produtivo mato-grossense permanece em estado de alerta, dependendo de breves janelas de sol para salvar o que resta da qualidade da safra 2025/26.

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