HomePecuária

Justiça autoriza retirada de gados de fazenda desmatada em MT

Justiça autoriza retirada de gados de fazenda desmatada em MTDesmate químico destruiu 81 mil hectares do Pantanal Mato-grossense. Foto: Polícia Civil

Produtor do MT é acusado de produzir soja em área de desmate
PF deflagra operação contra grilagem de terras no Pantanal
Grande parte da produção em Mato Grosso já está se tornando mais sustentável, diz diretor da PCI

O pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, suspeito de desmatar quimicamente 80 mil hectares do Pantanal, considerado o maior crime ambiental da historia do Mato Grosso, poderá retirar 15 mil cabeças de gado entre maio e setembro de 2025, durante a seca na região. A decisão foi tomada pelo juiz Antônio Horácio da Silva Neto, da Vara Especializada do Meio Ambiente (Mato Grosso), no processo em que o produtor responde por crimes ambientais.

Lemes teve 60 mil cabeças de gado bloqueadas em ação que busca reparação de R$ 2,8 bilhões pelos danos ambientais. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), o desmatamento foi feito com agrotóxicos irregulares em áreas de vegetação nativa, destruindo a biodiversidade e a vegetação de preservação permanente em sete imóveis rurais de Barão de Melgaço.

Entre julho e agosto de 2023, foram aplicados nove autos de infração e nove termos de embargo e interdição na região. Amostras de solo, água e sedimentos confirmaram a presença de quatro herbicidas tóxicos, que causaram o desfolhamento e a morte de árvores. Documentos analisados indicam que a quantidade de substâncias adquiridas poderia desmatar até 85 mil hectares.

As investigações revelaram que Lemes detém 277 mil hectares no Pantanal, representando 6% do bioma, e investiu R$ 25 milhões na aplicação de agrotóxicos, incluindo o “agente laranja”, proibido no Brasil.

A decisão judicial atendeu a um pedido da Administradora Judicial Mediape para transferir 15 mil cabeças de gado das áreas embargadas para as fazendas Vale do Sol e Brígida. O MP-MT havia recomendou o manejo de 8 mil animais e a venda de mil para custear despesas operacionais e aquisição de terras para compensação ambiental.

A Mediape deverá elaborar um plano para a retirada do gado que se encontra na fazenda, além de outras deliberações quanto a regeneração da área, em cooperação com o produtor rural. Também foi determinado que os bois e vacas serão removidos do local no período de seca. Caso não seja possível nesse período, a Justiça deve ser informada.