HomeAgriculturaProdutividade

Estimativa do IBGE aponta safra de grãos recorde

Estimativa do IBGE aponta safra de grãos recordeValor é 16,6% maior do que a safra de 2024 Foto: Wenderson Araújo/CNA

Clima ainda será ameaça de prejuízo ao agro em 2024, diz especialista
Fevereiro teve registro de seca mais branda em quatro regiões do País
Brasil perde em 40 anos área natural maior que a Bolívia

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado, nesta quinta-feira (11/9) pelo IBGE, mostra que a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve totalizar 341,2 milhões de toneladas em 2025. Trata-se de um valor 16,6% ou 48,5 milhões de toneladas maior do que a safra obtida em 2024 (292,7 milhões de toneladas). Na comparação com julho, a estimativa registrou alta de 0,2%, um acréscimo de 773,6 mil toneladas.

A área a ser colhida este ano deve ser de 81,3 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 2,8% (2,2 milhões de hectares a mais) em relação à área colhida em 2024. Frente ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou uma expansão de 82,7 mil hectares (0,1%).

Com auxílio do clima e o aumento dos investimentos dos produtores, a safra chega ao recorde. Os produtores investiram mais nos cultivos da soja e do milho porque os preços dessas commodities estavam com uma boa rentabilidade”, explica o gerente do levantamento, Carlos Barradas.

“Outro fator relevante é que houve perdas grandes somente na produção da soja no Rio Grande do Sul. As lavouras de soja no Rio Grande do Sul sofreram com a falta de chuvas. O milho também, mas o milho sofreu bem menos.”

Os principais destaques positivos da safra 2025 em agosto, frente a julho, são os crescimentos das estimativas da produção da soja, 0,2%, (totalizando 165,9 milhões de toneladas); do milho, 0,3%, (138,0 milhões de toneladas); do trigo, 0,4% (7,7 milhões de toneladas) e do sorgo, 0,9%, (5,0 milhões de toneladas).

Em relação à safra de 2024, ocorrem acréscimos de 6,6% na produção de algodão herbáceo (em caroço); de 17,2% para o arroz em casca; de 14,5% para a soja; de 20,3% para o milho (crescimento de 13,7% para o milho 1ª safra e de 22,0% para o milho 2ª safra); de 24,7% para o sorgo; e de 2,6% para o trigo. Para o feijão ocorreu decréscimo de 0,5%.

Carlos Barradas ressaltou os recordes na produção de soja e do milho, com 165,9 e 138,0 milhões de toneladas, respectivamente.

“O clima benéfico e o aumento dos investimentos pelos produtores, ampliando as áreas de plantio foram as principais razões das safras recordes destes itens”, explicou o gerente da pesquisa.

O arroz, o milho e a soja representam 92,6% da estimativa da produção e respondem por 88,0% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 5,1% na área a ser colhida do algodão herbáceo (em caroço); de 11,2% na do arroz em casca; de 3,5% na da soja; de 3,6% na do milho (declínio de 5,4% no milho 1ª safra e crescimento de 6,2% no milho 2ª safra); e de 11,2% na do sorgo; ocorrendo declínios de 6,6% na do feijão e de 18,5% na do trigo.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab),  em seu 12º Levantamento, destaca que a safra de grãos no ciclo 2024/25  é estimada em 350,2 milhões de toneladas, o que estabeleceria um novo recorde na série histórica, superando o obtido na temporada 2022/23, quando foram colhidas 324,36 milhões de toneladas.

Safra de grãos no Centro-Oeste cresce

A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para todas as regiões: Centro-Oeste (21,3%), Norte (21,0%), Sudeste (16,6%), Sul (9,4%) e Nordeste (8,6%). Quanto à variação mensal, apresentaram aumentos na produção a Região Norte (3,1%) e a Sul (0,4%). A Centro-Oeste (0,0%) apresentou estabilidade, e a Região Nordeste (-0,4%) e a Sudeste (-0,2%) apresentaram retração.

Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 32,4%, seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,5%), Mato Grosso do Sul (7,4%) e Minas Gerais (5,5%), que, somados, representaram 79,6% do total. Com relação às participações regionais, tem-se a seguinte distribuição: Centro-Oeste (51,4%), Sul (25,1%), Sudeste (8,8%), Nordeste (8,2%) e Norte (6,5%).

As principais variações absolutas positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram no Pará (351.544 t), no Paraná (317.500 t), no Tocantins (186.964 t), em Rondônia (126.337 t) e no Amazonas (16 t). As variações negativas ocorreram em Minas Gerais (-62.524 t), no Ceará (-61.953 t), em Goiás (-33 633 t), no Maranhão (-21.938 t), em Pernambuco (-11.677 t), em Alagoas (-9.021 t), no Rio Grande do Norte (-7.761 t), no Rio de Janeiro (-205 t) e no Acre (-53 t).