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Nova tecnologia mapeia prejuízos da geada com precisão de 96%

Nova tecnologia mapeia prejuízos da geada com precisão de 96%Ferramenta permite visão ampla e precisa do impacto. Foto: Embrapa

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Uma nova ferramenta tecnológica desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete transformar o monitoramento de perdas agrícolas causadas por geadas. Utilizando sensoriamento remoto e inteligência artificial, a metodologia — batizada de GEEadas — permite mapear danos em lavouras de milho com alta precisão, reduzindo as incertezas para produtores, seguradoras e gestores públicos.

O estudo, publicado na revista científica Remote Sensing Applications: Society and Environment, foi liderado por cientistas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais  e da Unesp (Universidade Estadual Paulista) , com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

De acordo com a Agência Fapesp, o modelo integra imagens dos satélites da missão Sentinel-2 a algoritmos de aprendizado de máquina, alcançando um índice de acerto de 96% na identificação das áreas afetadas.

Para validar a técnica, os pesquisadores analisaram mais de 700 mil hectares de milho da segunda safra no oeste do Paraná, região que sofreu geadas severas entre maio e junho de 2021. O mapeamento revelou que 70% das plantações na mesorregião de Toledo e Cascavel, naquele estado, foram prejudicadas pelo frio extremo naquele período.

“Em campo, os técnicos agrícolas têm uma limitação espacial. Com o sensoriamento remoto, conseguimos complementar esse trabalho, oferecendo uma visão ampla e precisa do impacto”, explica Michel Eustáquio Dantas Chaves, professor da Unesp e primeiro autor do artigo.

Resposta à crise climática

A inovação chega em um momento em que a segurança alimentar global está no centro das discussões. Com o Brasil figurando entre os cinco maiores produtores de grãos do mundo, qualquer quebra de safra impacta diretamente os preços e o abastecimento internacional.

O milho de segunda safra, cultivado logo após a soja, é particularmente vulnerável.

“O clima nos últimos anos não está em sua normalidade. Em 2021, a seca atrasou o plantio e a geada veio em seguida”, relata Marcos Adami, pesquisador do Inpe.

Ele reforça que o Paraná, segundo maior produtor de grãos do país, tem na agroindústria sua base econômica, tornando essencial a criação de ferramentas que auxiliem no planejamento e em sistemas de seguro agrícola.

Expansão e políticas públicas

Além do milho, o modelo é personalizável e pode ser adaptado para outras culturas e contextos geográficos. Atualmente, o grupo trabalha em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para refinar os levantamentos de safra em estados como Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

Em 2025, o Brasil atingiu a marca recorde de 345,6 milhões de toneladas de grãos, segundo o IBGE. Para manter esse crescimento frente aos eventos climáticos extremos, os pesquisadores acreditam que a precisão dos dados será decisiva para a elaboração de políticas de crédito e suporte ao produtor rural.