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MS amplia incentivos para carne orgânica e sustentável

MS amplia incentivos para carne orgânica e sustentávelHoje, 115 propriedades estão cadastradas no Programa Carne Sustentável/MS. Foto: ABPO

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Por André Garcia

Incentivos aos produtores, tecnificação e produtividade do rebanho levaram a um aumento de 10,69% dos abates de bovinos orgânicos em Mato Grosso do Sul em 2025.  O volume chegou a 205.898 cabeças no período, segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Com esse crescimento, os abates passaram a representar 5% do total no Estado, onde 115 estabelecimentos rurais estão cadastrados e aprovados no Programa Carne Sustentável/MS do Pantanal, que reúne produtores enquadrados no protocolo orgânico e sustentável.

Os resultados do programa reforçam a viabilidade de um modelo que combina práticas tradicionais pantaneiras com exigências de conservação em um dos biomas mais ameaçados do País. É o que defende o diretor executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), Guilherme Oliveira.

“O produtor pantaneiro sempre teve uma relação muito próxima com a natureza. O que vemos agora é a valorização desse conhecimento tradicional, aliado às práticas modernas de manejo e sustentabilidade. O Programa Carne Sustentável reconhece esse trabalho feito no campo”, analisa.

Programa repassa R$ 24,7 milhões em incentivos

Um dos pontos chave do programa são os incentivos financeiros aos participantes. Em 2025, foram repassados R$ 24,7 milhões, correspondentes a 199.560 animais. Na modalidade orgânica, o incentivo médio foi de R$ 185,29 por animal, enquanto na modalidade sustentável o valor médio chegou a R$ 137,14.

“Esse recurso valoriza quem preserva, respeita os ciclos do Pantanal e adota boas práticas no dia a dia da fazenda. É uma política que reconhece o produtor e fortalece toda a cadeia”, disse o executivo.

Indicadores de sustentabilidade

De acordo com a ABPO, os incentivos estão condicionados à adoção de um protocolo que inclui critérios sociais, técnicos e ambientais. Entre as exigências estão a rastreabilidade, a alimentação dos animais com pastagens nativas do bioma Pantanal e a proibição do uso de antibióticos e outros promotores de crescimento.

Essas práticas se refletem, por exemplo, na precocidade dos animais abatidos. Entre os machos inteiros, os bovinos de 0 a 4 dentes cresceram 16,20% e passaram a representar mais de 76% da categoria em 2025. Já os animais mais velhos apresentaram redução.

Além do aumento no volume abatido, o programa registrou alta na classificação dos animais. Em 2025, 96,92% do rebanho entregue foi classificado, atribuição relacionada ao manejo e a investimentos em genética, nutrição e planejamento produtivo nas propriedades.

 

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