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Seca causou perda de US$ 5 bi ao agro brasileiro em 2025

Seca causou perda de US$ 5 bi ao agro brasileiro em 2025Estiagem pressionou produtividade e sistema elétrico. Foto: CNA

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Por André Garcia

Apesar de uma pequena trégua nos extremos climáticos, a seca causou prejuízo de cerca de US$ 5 bilhões ao agro brasileiro em 2025. O dado faz parte do relatório da corretora e consultora Aon, e indica que o impacto do clima sobre a produção rural no País deixou de ser exceção e passou a fazer parte da estrutura da atividade.

Beatriz Protasio, CEO de resseguros para o Brasil na Aon, explicou em entrevista à Folha de São Paulo,que o Brasil saiu de um patamar histórico de baixo risco catastrófico para uma recorrência de perdas multibilionárias.

“O nível de prejuízo permanece acima das médias históricas do início do século, refletindo a maior frequência de eventos extremos e a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e do setor agrícola”, disse.

A empresa calcula que as secas causaram danos de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões) no último ano, 88% do total. A estiagem afetou principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, com impactos ao agronegócio, à geração de energia e ao abastecimento de água.

Pressão sobre a matriz elétrica

A estiagem também pressionou o sistema elétrico. Em agosto de 2025, a participação da geração hidrelétrica na matriz elétrica nacional caiu abaixo de 50%, um patamar historicamente raro. A redução da disponibilidade hídrica afeta simultaneamente a produção agrícola e o sistema energético, ampliando custos e riscos operacionais.

Nesse contexto, o relatório da Aon destaca os desafios enfrentados pela América do Sul, com ênfase para a região amazônica brasileira, que atravessou recentemente uma das secas mais intensas e prolongadas já registradas. O documento lembra ainda que, em 2024, a seca causou perdas de US$ 16 bilhões apenas na região da Bacia do Prata.

“O Sudeste do Brasil mostrou sinais de recuperação em 2025, mas a precipitação abaixo da média na região amazônica continua a agravar a crise regional. A contribuição da energia hidrelétrica para a geração nacional de energia elétrica, normalmente em torno de 66%, caiu para menos de 50% em agosto.

Cadeia do café sob ameaça

As mudanças climáticas começam a redesenhar o risco da cadeia global do café. Os três maiores produtores mundiais, Brasil, Colômbia e Vietnã, enfrentam secas cada vez mais intensas e frequentes, cenário que ameaça a regularidade da oferta e pressiona preços ao longo da cadeia, do campo ao consumidor final.

No caso brasileiro, as perdas econômicas associadas à seca somaram cerca de US$ 139 bilhões nos últimos 30 anos. Até 2050, condições de seca severa podem colocar em risco aproximadamente 54% da produção global de café, ampliando a vulnerabilidade de uma das commodities agrícolas mais consumidas no mundo.

Prejuízo global é de US$ 260 bilhões

A Aon contabiliza 49 eventos extremos que geraram perdas econômicas na casa de bilhões de dólares em todo o planeta em 2025, superando a média de longo prazo, de 46. Quanto aos desastres com danos cobertos por seguros, a corretora registra 30 ocorrências, quase o dobro das 17 esperadas para o ano.

Ao todo, os prejuízos globais somaram US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em 2025, uma queda em relação aos US$ 397 bilhões em 2024. Ainda assim, os dados mostram uma tendência de acúmulo das perdas climáticas, mesmo sem grandes desastres isolados. Nesse cenário, os autores acendem um alerta para o agro.

“Pesquisas científicas indicam que a severidade da seca no Brasil aumentará devido às mudanças climáticas, especialmente na região central e na bacia amazônica. O aumento da seca, combinado com temperaturas mais altas, também deve aumentar a frequência de condições climáticas propícias a incêndios”, pontuam.

 

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