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Entenda as propostas do Plano Clima para o agro

Entenda as propostas do Plano Clima para o agroFoto: Embrapa

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Por André Garcia

Ao integrar metas de redução de emissões, controle do uso da terra, incentivo à conservação e adaptação produtiva, o Plano Clima propõe novas regras para o agronegócio brasileiro. Na prática, a produtividade continua sendo o foco, mas passa a ocorrer dentro de limites ambientais mais claros, que influenciarão o acesso a crédito e mercado.

Entre as mais de 800 ações descritas no plano, destacamos as mais relevantes. Confira:

Pecuária concentra emissões e entra no centro da estratégia

A agropecuária responde por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa do País, com aproximadamente 643 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2022. Dentro desse total, a pecuária domina, concentrando mais de 60% das emissões, principalmente pela fermentação entérica.

Para reduzir a intensidade dessas emissões será preciso aumentar a produtividade por área, recuperando pastagens degradadas e ampliando sistemas como a integração lavoura, pasto, floresta (ILPF). Com isso, o ciclo produtivo tende a encurtar e a emissão por unidade produzida a diminuir.

Desmatamento vira principal alvo da redução de emissões

Uma das metas mais ambiciosas é reduzir em até 95% as emissões geradas pelo desmatamento até 2035. Esse tipo de emissão, que representa uma das maiores fontes dentro da agropecuária, somou 750 MtCO₂e em 2022 e deve cair para 242 MtCO₂e em 2030 e para 41–47 MtCO₂e ao final do período.

A resposta proposta é direta: zerar o desmatamento ilegal, reduzir a conversão autorizada e ampliar a recuperação de áreas degradadas. Na prática, isso significa restringir a abertura de novas áreas e deslocar o crescimento da produção para áreas já abertas, com maior pressão por regularização ambiental.

Floresta passa a ter valor econômico

Além de conter a expansão e controlar destruição causada pelo fogo, o plano busca alterar a lógica econômica do uso da terra. A meta é transformar áreas conservadas em ativos, incorporando seu valor ao sistema produtivo.

Para isso, o documento prevê o estímulo à participação do setor privado e de instrumentos como pagamento por serviços ambientais, mercado de carbono, crédito direcionado e títulos vinculados à conservação.

Uso de insumos entra na agenda de emissões

O manejo do solo também aparece como fonte relevante de emissões, especialmente pelo uso de fertilizantes sintéticos, que respondem por uma parcela significativa dos gases gerados na produção.

A estratégia proposta envolve ampliar o uso de soluções biológicas, como a fixação de nitrogênio, tecnologias para o manejo de dejetos animais e a melhora da eficiência no uso de insumos, o que pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos, com impacto simultâneo sobre custo de produção e emissões.

Crédito começa a incorporar critérios climáticos

O plano prevê a reformulação do crédito rural, incorporando critérios relacionados a emissões, conservação e práticas produtivas.

Ou seja, o acesso a financiamento tende a depender cada vez mais do desempenho ambiental da propriedade. Produtores com maior eficiência, áreas regularizadas e adoção de práticas sustentáveis podem encontrar melhores condições de crédito, enquanto modelos mais intensivos em emissão tendem a enfrentar maior restrição.

Adaptação climática

Entre 2013 e 2022, prejuízos associados a eventos extremos somaram cerca de R$ 260 bilhões, com a seca concentrando quase 80% desse total.

Diante desse cenário, o plano reforça a adoção de instrumentos de gestão de risco, como seguro rural, zoneamento agrícola e infraestrutura hídrica. Na prática, o clima passa a ser incorporado à tomada de decisão produtiva, influenciando desde o planejamento até o financiamento.

Transição na agricultura familiar

Neste contexto de mudança, a agricultura familiar aparece como um dos segmentos mais vulneráveis, com menor acesso a crédito, tecnologia e assistência técnica. Conforme o documento, a capacidade de adaptação desses produtores dependerá menos de investimento próprio e mais da presença do Estado.

Assim, para evitar que a transição amplie a diferença entre produtores mais e menos capitalizados, à medida que o acesso a tecnologia e financiamento se torna decisivo, a proposta inclui políticas específicas de apoio, com foco em inclusão produtiva e fortalecimento da resiliência.

 

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