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Conflito no Oriente Médio acelera compra de agrotóxicos

Conflito no Oriente Médio acelera compra de agrotóxicosVendas nas últimas 3 semanas superaram as do mesmo período de 25. Foto: Cenipa

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A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã já apresenta faturas imediatas para o agronegócio brasileiro. Além da alta direta nos fertilizantes nitrogenados e no diesel — ambos dependentes do petróleo —, um “efeito cascata” atinge agora o mercado de agrotóxicos.

Na Tecnoshow Comigo 2026 em Rio Verde (GO), o clima de incerteza transformou os estandes de multinacionais de insumos nos pontos mais movimentados da feira, contrastando com o ritmo mais lento no setor de máquinas, aponta reportagem do AgFeed.

Executivos de gigantes como Corteva, Basf e Ihara confirmam que o ritmo de vendas nas últimas três semanas superou o do mesmo período do ano passado. O motivo é a gestão de risco: o agricultor busca se proteger de aumentos iminentes.

Segundo William Weber, diretor comercial da Corteva, a procura é intensa em estados como Goiás, Mato Grosso e na região do Matopiba. No Mato Grosso, estima-se que as negociações de pacotes de insumos já atinjam 50% do volume esperado.

O impacto nos defensivos é indireto, mas profundo. Valdumiro Garcia, gerente da Ihara, explica que a cadeia de produção de fungicidas, inseticidas e herbicidas é inteiramente atrelada à petroquímica.

Como cerca de 40% do petróleo consumido pela China vem do Irã, e os chineses são os maiores sintetizadores de ingredientes ativos do mundo, qualquer instabilidade no Estreito de Ormuz trava a indústria asiática.

A situação na China é de paralisia. Fabricantes operam no sistema back to back (vendem o produto para financiar a compra da próxima matéria-prima), mas, sem previsibilidade de preços, muitos interromperam as ofertas por medo de não conseguirem repor estoques.

“O chinês está atônito; não sabe se o preço sobe ou cai, nem quanto tempo a guerra vai durar”, relata Daniel Dias, presidente da AgriConnection.

Oportunidade e Estratégia na Feira

A própria cooperativa Comigo, organizadora do evento, aproveitou o estoque antigo para oferecer condições atrativas.

“Viemos com preços diferentes dos valores de reposição. Para quem tem demanda, o momento de comprar é agora”, alertou Cláudio Teoro, diretor de insumos da cooperativa.

Para Delcides Netto, diretor da Basf, o estande virou um centro de consultoria.

“O agricultor quer entender qual tomada de decisão faz sentido para proteger a produtividade com rentabilidade, respeitando o momento financeiro delicado do setor.”

Diante das margens apertadas e do crédito escasso, o cenário de guerra pode acelerar uma transição tecnológica. Os defensivos e fertilizantes biológicos ganham força como ferramentas de consórcio, como já mencionamos aqui no Gigante 163.

Por terem produção nacional e não dependerem de fretes marítimos ou insumos importados, oferecem uma estabilidade de custo que o mercado químico perdeu momentaneamente.

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