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Por que o gado morre no frio? Iagro investiga mortes de bovinos em MS

Por que o gado morre no frio? Iagro investiga mortes de bovinos em MSOs termômetros chegaram a marcar 7°C. Foto: Embrapa

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Resumo

  • Investigação sanitária: A Iagro apura a morte de pelo menos 83 cabeças de gado em cinco propriedades rurais do estado após uma forte queda na temperatura neste mês.

  • Cidades afetadas: Os casos se concentraram nos municípios de Nova Andradina (74 animais mortos) e Angélica (9 mortes).

  • Hipotermia é a principal suspeita: O gado zebuíno, majoritário no estado, é adaptado ao clima quente e sofre com quedas bruscas de temperatura combinadas com vento e umidade.

  • Histórico preocupa: O setor produtivo mantém a vigilância redobrada porque, no inverno de 2023, o estado enfrentou uma crise severa que resultou na perda de mais de 2,5 mil animais por frio.

 A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) confirmou que está inspecionando fazendas que registraram mortes coletivas de gado durante os dias de frio mais intenso.  Os termômetros chegaram a marcar 7°C, com a sensação térmica batendo perto de 0°C em algumas localidades devido aos ventos fortes.

A maior parte das perdas ocorreu em quatro fazendas localizadas em Nova Andradina, totalizando 74 animais. O restante dos registros oficiais foi computado em uma propriedade no município de Angélica, com nove mortes.

Por que o gado morre com o frio intenso?

A análise preliminar dos veterinários e fiscais da Iagro aponta para a hipotermia como a causa principal dos óbitos, de acordo com reportagem do g1. Essa condição clínica acontece quando o organismo do animal perde calor mais rápido do que consegue produzir, colapsando o sistema circulatório.

Os bovinos criados na região Centro-Oeste possuem alta adaptação genética ao clima tropical. Por isso, quando ocorrem viradas bruscas no tempo, o rebanho sente o impacto rapidamente. A capacidade de resistência do boi ao frio depende diretamente de fatores como:

  • Idade do animal: Bezerros e animais mais velhos sofrem mais;

  • Estado nutricional: Gado mal-alimentado não tem reserva energética para queimar e gerar calor;

  • Falta de abrigos: Pastagens totalmente abertas deixam o rebanho exposto ao vento e à chuva, acelerando o congelamento corporal.

Recomendações de manejo preventivo

Para evitar novas perdas financeiras e proteger o bem-estar animal nas próximas semanas de inverno, os técnicos da área recomendam mudanças imediatas na rotina das propriedades:

  1. Suplementação nutricional: Oferecer alimentos de alta energia para que o gado consiga manter a temperatura do corpo estável;

  2. Barreiras físicas e naturais: Direcionar o rebanho para piquetes que possuam capões de mata, capoeiras ou barreiras que cortem a força do vento e da chuva;

  3. Afastamento de áreas úmidas: Evitar que os animais passem a noite em baixadas abertas ou muito próximos a córregos e represas, onde a umidade e o frio são mais intensos;

  4. Apartação de lotes vulneráveis: Separar os animais debilitados ou recém-desmamados para receberem um cuidado específico e abrigado.

A preocupação dos pecuaristas sul-mato-grossenses se justifica pelo retrocesso recente. No ano de 2023, o estado viveu uma tragédia climática com a morte de mais de 2,5 mil bovinos pelo mesmo motivo, o que exige dos produtores uma postura proativa antes que novas frentes frias atinjam a região.