Resumo
- A Seleção Brasileira enfrenta o Marrocos neste sábado (13/6), às 19h, em Nova Jersey (EUA), pela fase de grupos do torneio. Para além dos gramados, as duas nações mantêm relações comerciais e diplomáticas que se estendem desde o final do século XIX.
- A parceria econômica é baseada na troca de alimentos produzidos no Brasil (como açúcar e milho) por insumos minerais marroquinos (fosfato) fundamentais para os fertilizantes nacionais.
- Mato Grosso se destaca: em 2025, o estado respondeu por 75% de todo o milho brasileiro enviado ao país africano, somando 1,37 milhão de toneladas.
- Em 2025, as transações financeiras entre os dois países ultrapassaram a marca de US$ 2,7 bilhões, consolidando o Marrocos como um dos maiores mercados do Brasil no continente africano e no mundo árabe.
A Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo neste sábado (13/6), às 19h, contra o Marrocos, em Nova Jersey (EUA). Mas, além da disputa em campo, os dois países celebram uma sólida parceria que já dura mais de um século no setor do agronegócio.
De acordo com Taoufik En Naouri, representante comercial da Câmara de Comércio Brasil-Marrocos (CCBM), esse vínculo comercial foi estabelecido ainda no século XIX, durante o governo do sultão Hassan I, que comandou a região entre 1873 e 1894.
“Brasil e Marrocos têm uma relação comercial muito forte. Existe uma troca importante entre os dois países, principalmente de açúcar e fosfato, utilizado na produção de fertilizantes”, afirma En Naouri ao Globo Rural.
Nesse cenário, o Mato Grosso se destaca: em 2025, o estado respondeu por 75% de todo o milho brasileiro enviado ao país africano, somando 1,37 milhão de toneladas (de um total de 1,81 milhão) e movimentando cerca de US$ 280 milhões, segundo dados do Imea.
Em contrapartida, o Marrocos — dono da maior reserva de fosfato do mundo — fornece o mineral que é a base dos fertilizantes usados nas lavouras brasileiras.
Em 2025, o comércio bilateral movimentou mais de US$ 2,7 bilhões, consolidando o país africano como um dos principais parceiros comerciais do Brasil no continente e no mundo árabe.
Conforme os relatórios da plataforma Comex Stat, ao longo daquele ano, as exportações do Brasil ao mercado global somaram US$ 374,1 milhões (458,9 milhões de quilos), enquanto as compras vindas do exterior totalizaram US$ 592,1 milhões (138,7 milhões de quilos).
O balanço do Marrocos no mesmo período mostrou um fluxo ainda mais robusto. Suas vendas externas globais somaram US$ 1,37 bilhão (3,46 bilhões de quilos) e as compras do mercado internacional atingiram US$ 1,43 bilhão (2,45 bilhões de quilos).
Para o futuro, os dois países já planejam novos projetos para expandir o turismo e usar o Marrocos como porta de entrada logística para produtos brasileiros na Europa e no Oriente Médio.

