Resumo
- Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29) em Houston (EUA) pelas oitavas de final da Copa do Mundo, enquanto mantêm forte parceria comercial fora dos campos.
- O comércio entre os dois países movimentou US$ 11,5 bilhões em 2025 (alta de 4,8%), colocando o Japão em 12º lugar como destino das exportações do Brasil e em 10º como origem das importações.
- O café não torrado foi o principal produto exportado ao Japão em 2025, somando US$ 1 bilhão (18,1% do total), seguido pela carne de aves com US$ 840 milhões (15,3%).
- Em 2025, o Japão foi o quarto maior comprador de café do Brasil (mais de 2,6 milhões de sacas), mas recuou para o quinto lugar entre janeiro e maio de 2026, com queda de 32,6% devido à entressafra e chuvas na colheita.
- A estimativa para a produção brasileira de café em 2026 está projetada entre 66 milhões e 71 milhões de sacas.
- A cooperação agrícola iniciou-se com a imigração japonesa de 1908 voltada à cafeicultura e consolidou-se nas décadas de 1960 e 1970 com acordos industriais e de mineração.
Enquanto as seleções de Brasil e Japão entram em campo nesta segunda-feira, 29/6, às 14h, em Houston (EUA), para decidir quem segue vivo no mata-mata da Copa do Mundo, fora dos gramados a história é bem diferente. Em vez de rivalidade, o clima entre os dois países é de pura tabelinha e parceria, especialmente quando o assunto é o agronegócio e a paixão por um bom café.
Para se ter uma ideia do tamanho desse entrosamento, o comércio bilateral movimentou US$ 11,5 bilhões em 2025 — um belo crescimento de 4,8% em comparação com 2024. Esse resultado colocou o Japão na 12ª posição entre os maiores compradores dos produtos brasileiros e no 10º lugar no ranking de fornecedores para o Brasil, abocanhando uma fatia de 2,16% das nossas importações.
O grande craque dessa relação comercial é o café não torrado. Só em 2025, o grão respondeu por 18,1% de tudo o que o Brasil vendeu para os japoneses, gerando uma receita de cerca de US$ 1 bilhão. Logo atrás, quem também bateu um bolão foi o setor de carne de aves e miudezas, que garantiu US$ 840 milhões e garantiu 15,3% das exportações para o país asiático.
Ao longo de todo o ano de 2025, o Japão jogou firme no G4 dos compradores do nosso café, ocupando a quarta posição com mais de 2,6 milhões de sacas importadas (um salto de quase 20%).
Soja do Mato Grosso
Segundo dados consolidados de 2025 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Mato Grosso exportou ao Japão 311,94 mil toneladas de farelo de soja, com receita de US$ 105,35 milhões. No mesmo período, as vendas de soja em grão somaram 223,40 mil toneladas, movimentando US$ 88,61 milhões.
Juntos, os dois produtos responderam por 535,34 mil toneladas embarcadas de Mato Grosso ao mercado japonês, com receita total de US$ 193,96 milhões. O desempenho confirma o complexo soja como principal elo direto entre o campo mato-grossense e o próximo adversário da Seleção Canarinho.
Recuo circunstancial
Já nos primeiros cinco meses de 2026, o ritmo desacelerou um pouco: os japoneses caíram para o quinto lugar, com um recuo de 32,6% nas compras de café.
O motivo desse “contra-ataque” foi o período de entressafra e as chuvas nas regiões produtoras, que acabaram atrasando a colheita da super safra de 2026 — estimada entre 66 milhões e 71 milhões de sacas pela Conab e pelo USDA. A expectativa do setor é que, a partir de julho, as exportações voltem a ganhar tração.
Essa parceria de longo prazo começou a ser desenhada muito antes do primeiro apito inicial, lá em 1908, quando os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram no Brasil para trabalhar justamente nas lavouras de café.
Depois, nas décadas de 1960 e 1970, o vínculo econômico se consolidou de vez com grandes acordos de cooperação em agricultura, mineração e indústria. Uma união que começou no campo e continua rendendo frutos até hoje.

