HomeEconomia

MT muda zoneamento e usa rios para organizar uso da terra

MT muda zoneamento e usa rios para organizar uso da terraRios são a nova unidade de referência do ZSEE. Foto: Rodolfo Almeida/Ambiental Media

Pecuária consome 30% mais água que 5 estados somados
Cinco bacias hidrográficas concentraram 81% do desmatamento no Cerrado
Projeto identifica 105 mil nascentes preservadas por produtores

Resumo

  • Mato Grosso passou a usar o desenho natural das bacias hidrográficas (e não divisões políticas) para planejar e organizar o uso das terras no estado.
  • Cientistas e ONGs divulgaram uma nota técnica apoiando a decisão, destacando que ela traz mais consistência e inteligência para o planejamento.
  • Ao olhar o rio desde a nascente até a foz, fica mais fácil prever impactos ambientais, evitar secas e proteger o abastecimento de água.
  • O novo modelo facilita o diálogo e a governança participativa entre governo, agronegócio, povos indígenas e comunidades locais.

O planejamento territorial e econômico de Mato Grosso deu um passo histórico. O estado adotou oficialmente as bacias hidrográficas como a nova unidade de referência do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) . A decisão recebeu forte apoio de cientistas e instituições socioambientais, que publicaram uma nota técnica destacando que a mudança trará mais equilíbrio entre o crescimento do agronegócio e a conservação da natureza.

Na prática, em vez de dividir o mapa do estado por linhas imaginárias ou limites políticos, o governo agora vai planejar as cidades e o campo seguindo o fluxo natural da água, desde as nascentes até a foz dos rios.

De acordo com analistas do Instituto Centro de Vida (ICV), a bacia hidrográfica funciona como um sistema vivo e integrado. Por isso, planejar o território com base nela ajuda a entender como a atividade humana em um ponto do rio afeta a água e a floresta que estão quilômetros abaixo, prevenindo secas e protegendo o abastecimento.

Além do ganho ambiental, a nova abordagem promete melhorar o diálogo social no estado. O uso dos rios como linha de planejamento facilita acordos e debates entre o poder público, produtores rurais, povos indígenas e comunidades tradicionais, que passam a gerenciar juntos a água da qual todos dependem.

Fonte: ICV