HomeEcologia

Calor extremo ameaça gado no Centro-Oeste e Norte

Calor extremo ameaça gado no Centro-Oeste e NorteFoto: Indea

Junho de 2024 foi o mais quente já registrado, diz Copernicus
Boletim aponta El Niño muito forte entre a primavera e o verão
Pequenos produtores do MS enfrentam mudanças climáticas

Resumo

  • O INMET emitiu alerta pelo sistema SISDAGRO para calor intenso e risco real de estresse térmico em rebanhos bovinos do Centro-Oeste e Norte até domingo,9/8.
  • O risco se intensifica em Mato Grosso, Rondônia, sul do Amazonas e oeste do Pará, com níveis atingindo “Perigo” e pontos de “Emergência” (como o centro-oeste de MT e Porto Velho).
  • Corumbá (MS) permanece entre Atenção e Alerta, enquanto as regiões Sul, Sudeste e leste do Nordeste apresentam risco baixo.
  • O calor excessivo faz o boi comer menos, resultando em menor ganho de peso, queda na produção de leite, problemas reprodutivos, respiração ofegante e febre.
  • Animais de alta produção, vacas em lactação e rebanhos mantidos em sistemas intensivos e confinados sofrem os impactos mais severos.
  • Garantir água limpa/fresca e sombra, transferir alimentos e manejos para horários mais frescos (manhã ou fim da tarde), evitar transporte/vacinação no pico do calor e monitorar sinais de apatia e salivação excessiva.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) alertou que o gado em partes do Centro-Oeste e do Norte do país vai enfrentar dias de calor mais intenso até domingo, 9/8, com risco real de estresse térmico nos animais. O aviso vem do SISDAGRO, sistema do instituto que cruza dados de temperatura e umidade para prever quando o calor pode prejudicar o rebanho.

A ferramenta usa um índice que combina calor e umidade do ar — quanto mais alto esse número, mais difícil fica para o boi perder calor e se refrescar sozinho. Com base nesse índice, o sistema classifica cada região em quatro níveis: Normal, Atenção, Alerta, Perigo e Emergência, do mais tranquilo ao mais crítico.

O calor vai se intensificar principalmente em Mato Grosso, Rondônia, sul do Amazonas e oeste do Pará. Até o dia 9, a previsão é de piora: mais área entrando em Perigo, e o surgimento de pontos em Emergência no centro-oeste do Mato Grosso.

Alguns municípios ilustram bem essa piora. Porto Velho (RO) deve ter a situação mais grave da semana, com risco de chegar perto da Emergência já no dia 9. Em Lábrea (AM), o nível deve variar entre Alerta e Perigo o tempo todo. Já Juara (MT) e São Félix do Xingu (PA) começam a semana em Alerta e devem piorar para Perigo até sexta-feira (9). Corumbá (MS), por outro lado, deve ter uma semana mais tranquila, entre Atenção e Alerta.

Nas regiões Sul, Sudeste e leste do Nordeste, o risco deve ser baixo — o calor não deve chegar a incomodar o gado de forma significativa nesse período.

O que o calor excessivo faz com o animal

Quando o boi não consegue se refrescar direito, ele come menos, ganha menos peso, produz menos leite e pode ter problemas para reproduzir. O corpo também reage com respiração mais ofegante e temperatura mais alta — sinais visíveis de que o animal está sofrendo com o calor. Esses efeitos costumam ser mais fortes em animais de alta produção, vacas em lactação e sistemas de criação mais intensivos, onde o gado fica mais confinado e tem menos espaço para se proteger.

O que fazer

Para quem está nas áreas de maior risco, a recomendação do INMET é:

  • deixar água limpa e fresca disponível o dia todo;
  • garantir sombra — de árvore ou de estrutura artificial — para os animais se protegerem do sol;
  • fazer o manejo e a alimentação nos horários mais frescos, de manhã cedo ou no fim da tarde;
  • evitar transporte, vacinação ou qualquer procedimento que estresse o animal nos horários de mais calor;
  • ficar atento a sinais de sofrimento, como respiração ofegante, muita saliva, apatia ou o animal comendo menos.

Acompanhar essas previsões com antecedência permite ajustar o manejo antes que o calor comece a afetar o desempenho do rebanho — o que ajuda a evitar perdas de produção e a manter o bem-estar dos animais.