Resumo
- O Brasil investirá US$ 3,4 milhões para levar o Prodes — sistema do Inpe que calcula o desmatamento anual — para a Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa entre 2026 e 2028
- Com o aporte do PNUD e do Inpe, os quatro biomas passarão a ter o mesmo rigor e padrão de monitoramento que já é aplicado na Amazônia há mais de três décadas.
- A iniciativa integra o Projeto Floresta+ Amazônia (MMA/PNUD/GCF) e visa gerar dados técnicos para fortalecer o relatório de emissões do país e a Estratégia Nacional para REDD+.
- O aprimoramento dos dados permitirá ao Brasil comprovar a redução do desmatamento e captar mais recursos de mecanismos internacionais de financiamento climático.
- A ampliação do sistema deve aumentar a precisão na identificação de áreas desmatadas e intensificar o combate às irregularidades fora da Amazônia.
O Brasil vai investir US$ 3,4 milhões nos próximos dois anos para ampliar, para outros quatro biomas, o mesmo sistema de satélite que monitora o desmatamento na Amazônia. O aporte, resultado de uma parceria entre o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), vai levar o Prodes — sistema que mede a área desmatada a cada ano — para a Caatinga, o Pantanal, a Mata Atlântica e o Pampa entre 2026 e 2028.
Até aqui, o Prodes tinha como principal foco a Amazônia, onde já opera há mais de três décadas e serve de base para fiscalização, embargos e políticas de combate ao desmatamento. A expansão significa que os outros quatro biomas brasileiros vão passar a contar com o mesmo padrão de monitoramento por satélite — o que deve aumentar a pressão sobre o desmatamento irregular também fora da Amazônia.
O investimento faz parte do Projeto Floresta+ Amazônia, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com execução do PNUD e recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF). Além de ampliar o monitoramento para novos biomas, a parceria vai produzir dados técnicos para o próximo relatório de emissões florestais do Brasil e para documentos exigidos pela Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+) — mecanismo que permite ao País captar recursos internacionais em troca da redução de desmatamento comprovada por dados oficiais.
Na prática, isso significa dinheiro internacional atrelado à qualidade dos dados de satélite. Quanto mais preciso e contínuo o monitoramento, maior a capacidade do Brasil de comprovar resultados e acessar esse tipo de financiamento — o que inclui recursos que podem chegar a estados como o Pará, onde o Prodes e o Deter já orientam boa parte da fiscalização ambiental.
“O fortalecimento dos sistemas brasileiros de monitoramento ambiental é estratégico não apenas para o enfrentamento da mudança do clima, mas também para ampliar o acesso do País a mecanismos internacionais de financiamento climático”, afirma Elisa Calcaterra, representante adjunta do PNUD no Brasil.
Cláudio Almeida, coordenador do Programa BiomasBR no Inpe, destaca que a parceria permite repetir, em biomas historicamente menos monitorados, o mesmo padrão técnico já consolidado na Amazônia:
“Essa cooperação nos permite agora ampliar esse mesmo padrão de rigor técnico e continuidade para outros biomas brasileiros, como a Caatinga, o Pantanal, a Mata Atlântica e o Pampa, que também têm papel fundamental na agenda climática do País.”

