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Mato Grosso perdeu quase um terço da vegetação nativa em 41 anos

Mato Grosso perdeu quase um terço da vegetação nativa em 41 anosRedução da vegestação ocorreu em paralelo ao avanço da agropecuária. Foto: Green Peace

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Resumo

  • Vegetação nativa de Mato Grosso caiu de 90% para 61% do território entre 1985 e 2025.
  • No Brasil, a cobertura nativa recuou de 79% para 65% no mesmo período.
  • A agropecuária avançou de 18% para 32% do território brasileiro em 41 anos.
  • Amazônia e Cerrado tiveram as maiores perdas em área, com redução de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.

 

Por André Garcia

A vegetação nativa de Mato Grosso encolheu de 90% para 61% do território entre 1985 e 2025. A queda coloca o estado entre os que mais perderam cobertura nativa proporcionalmente nas últimas quatro décadas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira,12/8, pelo MapBiomas.

Apesar da redução no desmatamento observada nos últimos anos, no acumulado dos últimos 41 anos o Brasil viu sua cobertura de vegetação nativa cair de 79% em 1985 para 65%  no período.

No ranking estadual, Mato Grosso aparece ao lado de Tocantins, que também passou de 90% para 61% de vegetação nativa no período. A maior redução proporcional ocorreu em Rondônia, onde a cobertura caiu de 92% para 59%, seguido pelo Maranhão, que passou de 91% para 61%.

Agropecuária ocupa 32% do Brasil

A redução da vegetação nativa ocorreu paralelamente ao avanço da agropecuária. Em 1985, essas atividades ocupavam 18% do território brasileiro. Em 2025, já respondiam por 32%.

A área de pastagens cresceu 61,6 milhões de hectares ao longo dos 41 anos analisados, enquanto a agricultura avançou sobre outros 48 milhões de hectares.

A Amazônia e o Cerrado concentraram as maiores perdas de vegetação nativa em números absolutos. Foram 53,9 milhões de hectares na Amazônia e 51,7 milhões no Cerrado.

Na sequência aparecem Caatinga, com redução de 10,1 milhões de hectares; Mata Atlântica, com 4,9 milhões; Pampa, com 4 milhões; e Pantanal, com 1,9 milhão de hectares.

Proporcionalmente, Cerrado e Pampa registraram as maiores reduções entre os biomas, com perdas de 34% e 32%, respectivamente.

“A Mata Atlântica perdeu menos porque já tinha perdido anteriormente e também porque está em uma trajetória, nos últimos 20 anos, que estabilizou e, em alguns lugares, cresceu a área de vegetação nativa, especialmente florestas”, explica o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

Florestas perderam 65 milhões de hectares

Entre os diferentes tipos de vegetação, as formações florestais tiveram a maior redução em área: 65 milhões de hectares desapareceram ao longo das quatro décadas.

As formações savânicas perderam outros 46 milhões de hectares e os campos alagados tiveram redução de 6,3 milhões de hectares.

Embora a perda absoluta tenha sido maior nas florestas, as formações savânicas sofreram a maior redução proporcional.

“Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período”, afirma Tasso Azevedo.

Apesar das transformações, 557 milhões de hectares permaneceram na mesma classe de cobertura ou uso da terra durante todo o período analisado. Desse total, 335 milhões de hectares correspondem a florestas que permaneceram em pé entre 1985 e 2025.

Saiba mais

A Coleção 11 do MapBiomas mostra como a cobertura e o uso da terra mudaram no Brasil ao longo de 41 anos, entre 1985 e 2025. O levantamento divide o território em 33 classes, incluindo florestas, formações savânicas, campos alagados, pastagens e áreas agrícolas. A série permite acompanhar tanto a perda e a permanência da vegetação nativa quanto o avanço das atividades humanas em cada bioma, estado e região do país. Nesta edição, os dados também foram cruzados com informações climáticas do MapBiomas Atmosfera para avaliar os efeitos de eventos extremos.

 

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