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Uso de bioinsumos gera economia de US$ 28 bi na soja

Uso de bioinsumos gera economia de US$ 28 bi na soja

Guerra no Golfo pressiona fertilizantes e alimentos
Brasil marca posição em mercado global de bioinsumos
Câmara aprova regulamentação da produção de bionsumos

Resumo

  • O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou R$ 7 bilhões em 2025 e tem projeção de alcançar R$ 10 bilhões até 2030, impulsionado por fóruns técnicos como a 22ª Reunião da Relare.
  • Cerca de 85% da área de soja no país utiliza inoculantes anualmente, o que dispensa o adubo nitrogenado químico e gera ganhos de produtividade entre 8% e 16%.
  • A substituição de químicos na soja gerou economia de US$ 28 bilhões na última safra e evitou a emissão de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
  • O setor de milho já consome mais de 40 milhões de doses de inoculantes por ano, permitindo reduzir em até 25% a adubação de cobertura.
  • Com a aprovação da Lei de Bioinsumos, especialistas defendem o aprimoramento da regulamentação e a criação de critérios técnicos de análise de risco específicos para cada microrganismo.
  • A tecnologia resulta de pesquisas iniciadas em meados do século XX, que adaptaram bactérias às condições do Cerrado e tornaram o Brasil referência mundial na área.

 

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 — somando categorias como biocontrole, bioinoculantes e biofertilizantes — e a expectativa é que chegue perto de R$ 10 bilhões até 2030, um crescimento de 46%, segundo a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii-Bio).

O tema está sendo debatido nesta quarta, 19/9, e quinta, 20/8, em Curitiba (PR), na 22ª Reunião da Relare, principal fórum técnico do País sobre inoculantes microbianos, que reuniu cerca de 250 pessoas entre pesquisadores, indústria e órgãos de fiscalização.

Na soja, o uso de bactérias que fazem a fixação biológica do nitrogênio já dispensa totalmente o adubo nitrogenado químico — hoje, 85% da área de soja no Brasil usa essa tecnologia a cada safra.

Segundo a pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, mesmo em solos onde essas bactérias já ocorrem naturalmente, vale aplicar o inoculante todo ano, porque o ganho de produtividade fica entre 8% e 16%.

O impacto financeiro é grande: segundo Hungria, essa substituição do adubo químico gerou uma economia de cerca de US$ 28 bilhões ao Brasil só na última safra.

O lado ambiental também pesa — a prática evitou a emissão de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que equivale a tirar 60 milhões de carros de circulação por um ano.

No milho, os inoculantes já ultrapassam 40 milhões de doses vendidas por ano. Eles não substituem totalmente o adubo nitrogenado, mas ajudam a planta a aproveitar melhor os nutrientes e, em algumas condições, permitem reduzir em até 25% a adubação de cobertura.

Por que esse debate importa agora

Com a Lei de Bioinsumos já aprovada, o setor entra em uma fase de mais regras e mais exigência técnica. Segundo Solon Araújo, conselheiro da Anpii-Bio e primeiro presidente da Relare, o fórum segue com papel estratégico de reunir os diferentes lados do setor nesse novo momento.

Amália Borsari, diretora da CropLife, avalia que a regulamentação brasileira de bioinsumos ainda precisa evoluir para acompanhar os avanços científicos e criar critérios de análise de risco mais adequados para cada tipo de microrganismo — considerando que cada espécie e cepa tem uma aplicação diferente, seja no controle de pragas ou no estímulo ao crescimento da planta.

Saiba mais

A pesquisa com fixação biológica de nitrogênio na soja começou entre as décadas de 1930 e 1960, com a seleção das primeiras cepas que depois viraram inoculante comercial.

Com a expansão da soja para o Cerrado, pesquisadores brasileiros também adaptaram esses microrganismos às condições de solo e clima da região — um dos motivos pelos quais o Brasil hoje é referência mundial no uso dessa tecnologia.

Além da soja, culturas como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens também vêm aumentando o uso de bioinsumos como forma de reduzir custo e melhorar a eficiência produtiva.