Resumo
- A partir de 1º de outubro, a carne bovina brasileira passa a pagar uma sobretaxa de 55% para ingressar na China, somando-se à tarifa ordinária de 12%.
- O Brasil atingiu em 29 de setembro o limite de 1,1 milhão de toneladas fixado por Pequim para o ano de 2026, conforme informado pelo Ministério do Comércio chinês.
- O teto era considerado restritivo por representar apenas 65% do volume exportado pelo Brasil à China em 2025 (1,68 milhão de toneladas, gerando US$ 8,9 bilhões).
- Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, o sistema de cotas aplica a tarifa padrão de 12% dentro do limite e aciona a sobretaxa de 55% três dias após o esgotamento do volume estabelecido.
- O governo brasileiro tentou utilizar o excedente da cota uruguaia, mas fontes do setor indicaram que Pequim não concordou com a medida.
A partir desta quinta-feira, 1º/10, a carne bovina brasileira passa a pagar uma tarifa adicional de 55% para entrar na China. O Brasil esgotou, em 29 de setembro, a cota de 1,1 milhão de toneladas que Pequim fixou para o País em 2026, informou o Ministério do Comércio chinês, segundo a agência EFE. Pelas regras do regime, a sobretaxa passa a valer quando o volume chega a esse limite.
Não foi surpresa. Segundo a Folha, governo e setor já esperavam que a cota fosse atingida antes do fim do ano, porque o teto equivale a apenas 65% do que o Brasil exportou à China em 2025, antes de o regime de cotas entrar em vigor. Naquele ano, foram 1,68 milhão de toneladas, cerca de 48% de todo o volume de carne bovina vendido pelo país ao exterior. Essas vendas renderam US$ 8,9 bilhões, de um total de US$ 18,03 bilhões.
Como funciona a regra
Desde 1º de janeiro de 2026, a China aplica cotas por país à carne bovina importada. Dentro do limite, o Brasil paga a tarifa ordinária de 12%. Três dias depois de a cota se esgotar, o que passar do teto recebe a sobretaxa de 55%, que se soma aos 12%. Para o Brasil, isso vale a partir deste 1º de outubro.
Tentativa de usar a cota do Uruguai
Na semana passada, o governo brasileiro informou que o Uruguai havia autorizado o Brasil a usar o excedente da sua cota de exportação de carne bovina para a China. Fontes do setor ouvidas pela Reuters, porém, afirmaram que Pequim não concordou, nem para este ano nem para o próximo.
Segundo elas, mesmo um acordo direto entre o Brasil e outros países sobre volumes não utilizados dificilmente teria o aval chinês.

