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Sob El Niño, seca chega a 12% de MT, maior área desde março

Sob El Niño, seca chega a 12% de MT, maior área desde marçoEl Niño deve alcançar intensidade forte entre outubro e dezembro. Foto: Agência Gov

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Resumo:

  • A área com seca em Mato Grosso passou de 7% para 12% do território entre agosto e setembro, a maior desde março, com intensidade estável, segundo o Monitor de Secas da ANA.
  • Mato Grosso do Sul reduziu a área com seca de 23% para 12% e Goiás, de 92% para 85%, de acordo com o Monitor de Secas.
  • O Distrito Federal manteve seca fraca em 100% do território em agosto e setembro, segundo a ANA.
  • Setembro teve chuva abaixo da média no centro-norte do Brasil e acima no centro-sul, padrão que o Inmet associa ao El Niño.
  • O Painel El Niño, do Inmet e parceiros, prevê o fenômeno com intensidade muito forte entre outubro e dezembro, com déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso.

 

Por André Garcia

A área com seca em Mato Grosso passou de 7% para 12% do território entre agosto e setembro, a maior desde março, quando o fenômeno atingia 17% do estado. A mudança coincidiu com um mês de baixo volume de chuvas na porção centro-norte do Brasil e chuvas acima da média na porção centro-sul, padrão associado ao El Niño.

Os dados são da atualização mais recente do Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e mostram a intensidade se manteve estável, com áreas de seca fraca e de seca moderada.

O Painel El Niño de setembro, elaborado pelo Inmet com a ANA e outros órgãos federais, prevê que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre outubro e dezembro e persista pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Para Mato Grosso, o prognóstico do trimestre aponta déficit de chuva principalmente no centro-norte.

No sul do estado, o cenário é outro. Os maiores volumes previstos para Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso tendem a favorecer a semeadura e o desenvolvimento inicial da soja 2026/27.

Redução em Goiás e Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a área com seca caiu de 23% para 12%, e a seca moderada deixou de aparecer no mapa, o que deu ao estado a condição mais amena da região. Em setembro, volumes superiores a 150 milímetros (mm) foram registrados entre o sudoeste e o leste do estado, com chuva acima da média, associados à passagem de sistema frontal.

Goiás reduziu a área com seca de 92% para 85%, o menor patamar desde junho, quando eram 82%. A seca moderada recuou de 22% para 14% do território, mas o estado segue com a maior intensidade do fenômeno no Centro-Oeste.

O Distrito Federal manteve seca em todo o território em agosto e setembro, toda na categoria fraca, a mais branda da escala. É a primeira vez desde o período entre abril e maio que o fenômeno cobre 100% do DF.

Piora no Norte e Nordeste

No País, a seca se intensificou em 14 estados e se abrandou em seis. No Centro-Oeste, a categoria mais severa registrada foi a seca moderada, enquanto estados do Norte e do Nordeste chegaram à seca grave. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina seguiram livres do fenômeno.

O Nordeste tem a maior parcela do território sob seca, 96%. Em Pernambuco, a seca grave saltou de 28% para 74% do estado, a condição mais intensa do país em setembro. No Norte, o Acre teve seca grave em 53% do território, e o Amapá registrou seca em 100% da área pela primeira vez desde que entrou no mapa do Monitor, em dezembro de 2023.

Saiba mais

O que é o Monitor de Secas? É o acompanhamento mensal da seca no Brasil coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com instituições federais e estaduais de meteorologia e recursos hídricos. Criado em 2014 para o Nordeste, foi ampliado aos poucos até cobrir todas as unidades da Federação. O mapa classifica a seca em cinco níveis de severidade, de fraca a excepcional, a partir de indicadores meteorológicos e hidrológicos validados por especialistas de cada estado. A área atingida e a gravidade são medidas separadamente e podem variar em direções opostas no mesmo estado.

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