HomeEconomia

El Niño lidera riscos do agro no fim de 2026; veja tendências

El Niño lidera riscos do agro no fim de 2026; veja tendênciasFoto: Aprosoja/MT

Produção de algodão pode ser maior que estimativa da Conab
Tecnologia emite alertas do avanço de doenças do algodão e da soja
Controle químico e manejo cultural para combater planta daninha

Resumo:

  • Calor combinado com pouca chuva em novembro e dezembro é o principal risco climático para a soja e o milho do Cerrado e do Matopiba, segundo o relatório Perspectivas 2026 da StoneX; nos El Niño fortes de 2015/16 e 2023/24, a produtividade da soja em Mato Grosso caiu 8,3% e 15,8%.
  • A StoneX projeta a safra brasileira de soja 2026/27 em 183,4 milhões de toneladas (t), alta de 0,4% sustentada pela expansão de área, enquanto a soja em Chicago acumulou alta de 14,8% no terceiro trimestre.
  • A safra americana de milho deve cair mais de 30 milhões de t, para 401,3 milhões de t, segundo o USDA, e o uso de milho pelas usinas de etanol no Brasil deve crescer mais de 5 milhões de t em 2026/27, de acordo com a consultoria.
  • Os futuros do algodão atingiram entre agosto e setembro o maior patamar desde janeiro de 2024, com o petróleo acima de US$ 100 o barril encarecendo o poliéster.
  • O abate de fêmeas ficou pouco acima de 1 milhão de cabeças em agosto, o menor volume desde o fim de 2024, segundo estimativa da StoneX, e contratos de boi gordo para 2027 são negociados perto de R$ 390/@ na B3.

Por André Garcia

Calor combinado com pouca chuva em novembro e dezembro é o principal risco climático para a soja do Cerrado na safra 2026/27, aponta a StoneX. O histórico mantém o setor em alerta: nos dois últimos El Niño fortes, em 2015/16 e 2023/24, a produtividade da soja em Mato Grosso caiu 8,3% e 15,8% em relação ao ciclo anterior.

A análise faz parte de relatório divulgado nesta quinta-feira, 8/10, que traz projeções para o quarto trimestre e combina estimativas próprias com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), da Conab, do IBGE e da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O El Niño deve atingir o pico entre outubro e dezembro e tem chances concretas de ser o mais intenso desde 1950, segundo o relatório. Para o trimestre, a StoneX cruzou as previsões mensais de chuva e temperatura da OMM com as médias históricas e com a fase de cada cultura.

“A combinação de calor e pouca chuva representa uma das situações de maior atenção. No Brasil, esse risco se concentra na soja e no milho do Cerrado e do Matopiba, principalmente em novembro e dezembro”, escreve Carolina Jaramillo Giraldo, analista de café e clima da StoneX, no relatório.

Aumento na área sustenta produção de soja

A StoneX projeta a safra brasileira de soja em 183,4 milhões de t, alta de 0,4%. O crescimento vem da área plantada levemente maior e é moderado pelas oscilações de produtividade entre os estados. Os primeiros levantamentos indicam início positivo da semeadura.

No mercado, a soja em Chicago se aproximou em setembro do maior patamar em quase três anos e acumulou alta de 14,8% no terceiro trimestre. O movimento acompanhou a reaproximação comercial entre Estados Unidos e China. A China comprou volumes estimados em até 13 milhões de t da safra americana 2026/27, principalmente por meio de estatais.

“A grande questão, portanto, é a produção brasileira, uma vez que o risco de seca nas áreas mais ao norte pode comprometer o desempenho em 2026/27 e alimentar o sentimento altista”, escreve Isabela Garcia, analista de grãos e óleos vegetais da StoneX.

Oferta global de milho fica mais curta

O USDA projeta a safra norte-americana de milho em 401,3 milhões de t, queda de mais de 30 milhões de t. A Europa teve uma das maiores quebras de safra do continente, e as exportações da Ucrânia pelo Mar Negro estão praticamente interrompidas.

No Brasil, a área de milho safrinha deve variar pouco em relação a 2025/26, por custos elevados e pela competição com algodão e sorgo. O uso de milho pelas usinas de etanol deve crescer mais de 5 milhões de t em 2026/27 e se aproximar de 30 milhões de t, o que reduz o excedente exportável. Para a StoneX, o mercado segue com prêmio de risco que sustenta os preços no curto prazo.

Alta no petróleo favorece o algodão

Os futuros do algodão atingiram entre o fim de agosto e o início de setembro o maior patamar desde janeiro de 2024. Com o petróleo acima de US$ 100 o barril, o poliéster, derivado fóssil que concorre com a pluma, ficou mais caro.

O USDA projeta a relação estoque/uso mundial de algodão como a menor desde 2010/11, com quebras nos EUA, na Austrália e na China. No Brasil, a StoneX espera área cerca de 5% maior em 2026/27, puxada pela rentabilidade da cultura.

Pecuária mantém preços

O 1º semestre de 2026 teve abate recorde, com mais de 21 milhões de cabeças, segundo o IBGE. A participação de fêmeas nos abates, porém, cai há cinco meses. Em agosto, ficou pouco acima de 1 milhão de cabeças, o menor volume desde o fim de 2024, segundo estimativa da StoneX com base em dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF).

“Esse equilíbrio entre oferta mais curta e demanda resiliente ajuda a explicar o comportamento firme observado tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros”, escreve Larissa Barboza Alvarez, analista da StoneX.

Os contratos de boi gordo com vencimento em 2027 são negociados perto de R$ 390/@ na B3.

O que é o El Niño? É o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, que altera a circulação da atmosfera e o regime de chuvas em várias regiões do planeta. No Brasil, o padrão típico é de mais chuva no Sul e menos chuva, com temperaturas mais altas, nas regiões mais ao norte, incluindo partes do Centro-Oeste. O efeito varia de evento para evento e depende também das condições do Atlântico e do Oceano Índico.

 

LEIA MAIS:

Chuva irregular em outubro divide ritmo do plantio da soja em MT

Chuva irregular muda a forma de plantar soja em Mato Grosso

Chuva irregular ameaça soja e janela do milho em Mato Grosso

Solo bem cuidado protege a soja contra secas, revela Embrapa

Startup de MT quer criar soja resistente a seca e pragas

Alerta de calor e seca extrema no Centro-Oeste