HomeEcologia

Apenas 8% das ações do MPF contra desmatamento resultaram em punição

Apenas 8% das ações do MPF contra desmatamento resultaram em puniçãoForam analisados 3.561 processos durante o estudo. Foto: Agência Brasil

Fim da moratória cria impasse para exportadores de soja
Empresas de alimentos da Espanha usam soja de desmatamento, diz estudo
Cade suspende Moratória da Soja

Levantamento inédito do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revela que apenas 8% das ações dentro do programa do Ministério Público Federal (MPF) de combate ao desmatamento ilegal na Floresta Amazônica puniram desmatadores. As conclusões sobre o Amazônia Protege, que leva em conta resultados de processos encaminhados entre 2017 e 2020, foram divulgados nesta terça-feira, 5/7.

O programa foi criado pelo MPF para responsabilizar os desmatadores ilegais por meio de ações civis públicas (ACPs) que tinham como a principal inovação o uso de provas obtidas de forma remota, sem a necessidade de vistoria em campo.

De acordo com o Imazon, embora os resultados tenham sido desfavoráveis na primeira instância, o estudo inédito do Imazon aponta que jurisprudência criada a partir de ações do MPF dentro do Programa Amazônia Protege pode acelerar punições e mudar o rumo da impunidade

Quantos processos foram analisados?

Nesse período, os pesquisadores levantaram 3.561 processos movidos pelo órgão nos nove Estados que compõem a Amazônia Legal. Esses processos têm o objetivo de responsabilizar desmatadores ilegais pela derrubada de 231.456 hectares de floresta, com pedidos de indenizações que somam R$ 3,7 bilhões.

Conforme a pesquisa, das mais de 3 mil ações, 650 (18%) tinham sentença em primeira instância até outubro de 2020. E, entre essas ações, 440 (67%) tiveram recursos. Os pesquisadores analisaram, então, todas essas decisões em primeiro grau e o que ocorreu nos casos em que as instâncias superiores foram acionadas.

 A conclusão foi de que, em primeira instância, a grande maioria dos processos, 506 casos (78%), foi extinta “sem resolução do mérito”. Ou seja, os juízes entenderam que o MPF não apresentou elementos suficientes para a tramitação das ações.

Mudar o rumo da impunidade

Nas instâncias superiores, porém, os julgamentos dos recursos foram favoráveis a uma série de inovações jurídicas que podem mudar o rumo da impunidade.

A mais relevante foi a aceitação da condenação dos réus com base nas provas obtidas remotamente. As decisões de segunda instância e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçam que esse tipo de prova é considerado idôneo e de precisão superior para aferir a área desmatada.

“A inovação do MPF em usar dados remotos que comprovam o dano ambiental já possui jurisprudência favorável do STJ. A expectativa, agora, é que esse entendimento seja adotado de forma mais célere nas decisões em primeira instância para que mais processos resultem em condenação e na obrigação de pagamento de indenização pelo dano ambiental causado à toda sociedade com o desmatamento da floresta Amazônica”, afirma Jeferson Almeida, pesquisador do Imazon.

Fonte: Imazon