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Recuperar para prosperar: a resposta do agro à crise do clima

Recuperar para prosperar: a resposta do agro à crise do climaAnderson de Oliveira integrou a estratégia à rotina. Foto: Senar-MT

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Resumo

  • Recuperar pastagem degradada rendeu quase R$ 2 para cada R$ 1 investido nos sistemas mais bem manejados (Pasto Forte).
  • O pasto recuperado prende carbono no solo e comporta mais animais por hectare sem esgotar a terra.
  • Mato Grosso tem cerca de 10,1 milhões de hectares de pastagens degradadas (Agroicone).
  • Em duas décadas, o estado reduziu 34% da área de pastagem enquanto a produção de carne subiu 116% (Acrimat).

Se no passado o desmatamento abriu caminho para a ascensão do agronegócio no Centro-Oeste, hoje seus efeitos colocam em risco o futuro da atividade: cinco bacias que mais perderam água no país estão na região, onde extremos climáticos desafiam a produtividade do setor com perdas bilionárias registradas nos últimos anos.

Mas o destino não está selado. Na conexão entre Cerrado, Amazônia e Pantanal, uma geração de produtores inverteu a lógica da degradação e aposta na recuperação – seja de nascentes, pastagens ou da vegetação – para seguir prosperando.  É o que o Gigante 163 mostra nesta Semana do Meio Ambiente, celebrada em 5 de junho.

“O produtor sempre ouviu que precisava escolher entre produzir ou preservar. O que os resultados mostram é justamente o contrário: quando o manejo é bem-feito, uma coisa ajuda a outra”, diz o gerente de relações institucionais da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Nilton Mesquita Jr, ao destacar o novo perfil.

Por meio do programa Pasto Forte, a entidade acompanha a evolução da estratégia em fazendas de Rondonópolis, Cáceres e Santiago do Norte, somando mais de 650 hectares (ha) monitorados. Nos sistemas com manejo mais intensivo, o retorno chegou perto de R$ 2 para cada R$ 1 investido na recuperação das áreas, coforme divulgado na última semana.

Com o pasto mais saudável, foi possível criar mais animais no mesmo espaço, com lotação acima de 3 UA por ha, sem degradar a terra.

Recuperação com precisão

A recuperação de pastagens foi integrada à estratégia do proprietário Anderson Douglas Thibes de Oliveira. Calagem, adubação, manejo nutricional e descarte estratégico de vacas vazias fizeram parte do trabalho, que se apoiou em outras duas frentes: planejamento e inseminação.

“Antes, por exemplo, o calcário era aplicado sem uma base técnica. Era no ‘olhômetro’. Com a assistência, passamos a fazer análise de solo e definir exatamente a quantidade necessária por hectare”, conta Anderson, ao destacar que, a partir do acompanhamento técnico do Senar, a conta começou a fechar diferente.

Para aumentar a produtividade sem abrir mais área, ele aposta também na inseminação. No primeiro lote, 40 vacas inseminadas geraram 13 bezerros. “O planejamento é aumentar o número de nascimentos. Se hoje temos uma base de 100 bezerros, queremos chegar a 120, 130. Quanto mais aumentar, melhor para o produtor”, projeta.

Potencial

Mato Grosso possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e tem potencial para liderar uma nova fase da pecuária, baseada em tecnologia, recuperação e produção de baixo carbono.  A oportunidade é grande, já que o estado tem cerca de 10,1 milhões de ha de pastagens degradadas, segundo levantamento da consultoria Agroicone.

“O produtor rural quer produzir melhor e o projeto só valida o processo que as fazendas de Mato Grosso já faziam há mais de duas décadas, com a redução de 34% na pastagem, no mesmo período em que a produção de carne bovina saltou 116%”, aponta o presidente da Acrimat, Nando Conte.

A conta do carbono

Pasto recuperado prende no solo o carbono que estava na atmosfera, e foi isso que o Pasto Forte mediu desde 2021. Para comparar o efeito, cada propriedade recebeu um nível de investimento diferente, e os pesquisadores acompanharam da forragem à captura de carbono.

No Cerrado mato-grossense, os resultados chamaram atenção pelo potencial produtivo. As áreas com maior nível de investimento registraram aumento expressivo no estoque de carbono e chegaram a taxas de lotação superiores a 3 UA/ha, índice considerado elevado para sistemas a pasto.

Saiba mais

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A pastagem degradada tem solo pobre e compactado, que retém pouco carbono. Recuperada com adubação e manejo, o capim ganha raízes mais profundas e armazena no solo o carbono retirado da atmosfera. O ajuste no número de animais fecha a conta. O excesso de gado, o superpastejo, esgota o solo e libera o carbono de volta. Com a lotação equilibrada, o pasto segue produtivo e o carbono, preso na terra.

 

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