Por André Garcia
A área queimada no Brasil em janeiro de 2026 foi a menor dos últimos dois anos, com redução de 36% em relação a 2025 e de 58% frente a 2024, segundo dados do MapBiomas divulgados nesta terça-feira 24/2. Ainda assim, a concentração do fogo na Amazônia e o avanço em biomas como Pantanal indicam que o risco permanece elevado.
Dos 437 mil hectares (ha) atingidos no período, a Floresta Amazônica respondeu por 337,2 mil ha, mesmo após queda de 46% em relação ao ano anterior. Os números são puxados por Roraima, que somou sozinho 156,9 mil ha queimados.
No ranking da destruição, Maranhão e Pará aparecem na sequência, com 109 mil hectares e 67,9 mil hectares, respectivamente. Juntos, os três estados concentraram 76% da área queimada em janeiro.
De acordo com Felipe Martenexen, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do MapBiomas Fogo, o norte da Amazônia, especialmente Roraima – único estado localizado acima da Linha do Equador – entra em estiagem entre dezembro e abril, período conhecido como “verão roraimense”.
“Isso aumenta a vulnerabilidade ao fogo, sobretudo em formações campestres (lavrados) e outras áreas abertas. Assim, o predomínio do fogo na Amazônia em janeiro está diretamente associado a essa sazonalidade invertida, que torna o norte do bioma um ponto crítico de fogo no início do ano”, explica.
Altas regionais contrastam com queda nacional
Apesar da redução no total nacional, alguns biomas apresentaram crescimento expressivo da área queimada em relação a janeiro de 2025. O Pantanal é o caso mais preocupante, com alta de 323%, alcançando 38 mil hectares.
Na Caatinga, foram 18,4 mil hectares queimados, mais de 203% na comparação anual, com predominância de vegetação nativa, responsável por 82,8% da área atingida. A Mata Atlântica também registrou avanço significativo, com 14,8 mil hectares queimados em janeiro, crescimento de 177% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
“Os aumentos pontuais no Pantanal, na Caatinga e na Mata Atlântica chamam atenção por ocorrerem em um mês que, em geral, registra menos fogo, já que grande parte do Brasil está no período chuvoso”, explica Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo.
Nesse cenário, o Cerrado apresentou comportamento diferente, com 28,7 mil hectares queimados e redução de 8% frente a janeiro de 2025. Já o Pampa teve apenas 59 hectares atingidos, queda de 98% na comparação anual.
Vegetação nativa responde pela maior parte das áreas queimadas
Do total queimado em janeiro de 2026, 66,8% ocorreram em áreas de vegetação nativa. A formação campestre foi a classe de cobertura mais atingida, representando 35% da área total queimada no país. Entre os usos agropecuários, as pastagens concentraram 26,3% da área afetada.
Os especialistas destacam que as estimativas dependem da capacidade dos satélites de observar o solo, o que é dificultado pela cobertura de nuvens no período chuvoso na Amazônia. Ou seja, em meses muito nublados, menos imagens ficam disponíveis, e queimadas menores ou de curta duração podem não ser detectadas.
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