HomeEcologia

Como a agricultura tropical regenerativa ganha força no Brasil

Como a agricultura tropical regenerativa ganha força no BrasilPaís desponta como líder no desenvolvimento de bioinsumos, Foto: Embrapa

MT investe R$ 2,8 milhões em ILPF e manejo florestal
Bunge e Mantiqueira firmam acordo por soja de baixo carbono
Saiba mais sobre agricultura regenerativa

Resumo

  • O Brasil tem posição privilegiada na agricultura regenerativa devido à união entre universidades/Embrapa, biodiversidade tropical e diversidade de produtores.
  • O uso de insumos biológicos reduz a dependência de produtos sintéticos importados, diminuindo custos do produtor e riscos ambientais.
  • A proposta defende a descentralização do conhecimento científico, integrando pesquisas públicas diretamente à rotina do produtor rural.
  • A transição abrange desde a agricultura familiar até grandes propriedades do Cerrado, aplicando soluções sob medida para as necessidades de cada ecossistema.

 

Ao integrar a pesquisa de instituições como a Embrapa e universidades com a biodiversidade local e o trabalho dos produtores rurais, o Brasil ocupa uma posição privilegiada na transição para a agricultura tropical regenerativa. O País desponta como líder no desenvolvimento de bioinsumos, reduzindo a dependência de insumos químicos importados e criando soluções sob medida para as características de cada território.

Para o professor Ricardo Abramovay, coordenador do projeto INCT Superar a Tríplice Monotonia do Sistema Agroalimentar — sediado no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP —, esse movimento propõe uma alternativa concreta ao modelo agroalimentar tradicional.

A combinação entre ciência e diversidade no campo viabiliza o surgimento de tecnologias locais capazes de reduzir custos de produção e mitigar danos ambientais.

Estratégia soberana

Abramovay aponta que a riqueza natural do País precisa ser vista como um pilar produtivo estratégico. Diferente dos insumos químicos convencionais — que pesam no bolso do produtor, poluem o solo e deixam o país vulnerável a oscilações do mercado externo —, os produtos biológicos oferecem respostas adaptadas à realidade do solo brasileiro.

O pesquisador destaca que depender do mercado internacional para a compra de insumos sintéticos gera incerteza no suprimento e eleva os custos operacionais da lavoura, além do impacto ambiental direto.

Inovação aberta

Na visão do especialista, a criação dessas novas soluções biológicas e tecnológicas não deve ficar restrita ao monopólio de grandes empresas multinacionais. A proposta defende uma rede de inovação aberta e colaborativa, em que instituições de pesquisa e produtores rurais desenvolvam juntos as ferramentas necessárias para o campo.

Essa mudança já é visível na prática: o uso de bioinsumos hoje une desde a agricultura familiar até grandes grupos do agronegócio no Cerrado. Essa abrangência comprova que o modelo regenerativo não se limita a um nicho específico, mas atrai agricultores de todos os portes que buscam rentabilidade e alternativas aos produtos químicos tradicionais.

Soluções focadas no território

Enquanto o modelo convencional aposta em receitas genéricas e produtos padronizados para realidades completamente distintas, a agricultura regenerativa atua com foco nas particularidades ambientais, econômicas e sociais de cada região.

Abramovay ressalta que o objetivo dessa transição não é retornar a práticas antigas, mas sim utilizar o topo da ciência moderna para construir tecnologias acessíveis e regionais. A expansão desse conceito depende do alinhamento entre produtores e cientistas, garantindo autonomia ao campo e maior sustentabilidade ao agronegócio brasileiro.

Com informações do Jornal da USP