Por André garcia
Mato Grosso foi o estado brasileiro que mais degradou a Amazônia em julho: foram 192 km² de floresta afetados por queimadas e exploração de madeira, o que equivale a 38% de toda a área registrada no período, segundo levantamento divulgado pelo Imazon nesta quinta-feira, 28/8.
Os números contrastam com a queda de 45% no desmatamento observada na região amazônica no mês passado. E mais que isso, expõe uma tendência preocupante em Mato Grosso, onde a degradação disparou 852% no acumulado de agosto de 2024 e julho de 2025, alcançando 9.596 km².
O rastro de destruição abre caminho para novas derrubadas de vegetação nativa, deixando áreas mais vulneráveis à seca e ao fogo, cada vez mais frequentes. Esse cenário compromete a disponibilidade de água, a regulação do clima e a fertilidade do solo, fatores que sustentam a produção agrícola e pecuária do estado.
“A degradação florestal fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais. O salto que vimos em 2025 é um sinal de que precisamos olhar com mais atenção para esse tipo de dano”, alerta Manoela Athaíde, pesquisadora do Imazon.
Panorama amazônico
Diferente do desmatamento, que elimina a floresta para dar lugar a paisagens como o pasto, a degradação age por dentro: árvores maiores dão lugar a vegetação de menor porte, reduzindo a biomassa e os serviços ecossistêmicos. Em julho, esse processo atingiu 502 km² da Amazônia, mais que o dobro do registrado no mesmo mês de 2024.
“Esta foi a segunda maior área degradada desde o início da série histórica, em 2009. O julho mais grave ocorreu em 2016, quando 664 km² foram afetados por esse dano na floresta”, explica a pesquisadora do Instituto, Larissa Amorim.
No balanço anual, o salto foi ainda mais expressivo: a área degradada quadruplicou, passando de 8.913 km² entre agosto de 2023 e julho de 2024 para 35.426 km² no período seguinte. Esse avanço se deve principalmente às grandes queimadas registradas em setembro e outubro de 2024, que deixaram vastas áreas fragilizadas.

Crédito: Imazon
O levantamento também aponta os principais vetores do desmate. A maior parte do 69% ocorreram em imóveis privados ou em diferentes estágios de posse no último ano. Outros 24% se concentraram em assentamentos rurais, 5% em Unidades de Conservação e 2% em Terras Indígenas.
Desmate sustenta degradação
Desmatamento e degradação caminham juntos. O fogo, que antes não avançaria com tanta força pela floresta úmida, hoje encontra terreno vulnerável pela mudança do clima, pela seca mais intensa e pela abertura de áreas derrubadas. Assim, o que antes servia de barreira natural contra incêndios passou a funcionar como combustível na seca.
Não à toa, o ranking dos estados que mais desmataram e mais degradaram a Amazônia segue a mesma ordem. Juntos, Pará, Mato Grosso e Amazonas foram responsáveis por 76% do desmatamento e 87% da degradação no bioma nos últimos 12 meses. Para piorar, no Mato Grosso e no Pará o desmate cresceu 31% e 6% respectivamente.
Apesar dessas altas locais, o Imazon informa que, no comparativo anual, o desmate no bioma se manteve praticamente no nível, com 3.503 km² derrubados. Esse patamar, porém, não significa trégua: são 350 mil campos de futebol destruídos, reforçando a urgência em combater a derrubada nas áreas mais pressionadas.
É o caso dos municípios mato-grossenses de Colniza, Marcelândia e União do Sul, que figuraram entre os dez municípios que mais desmataram a Amazônia no último ano. Juntos, eles somaram quase 300 km² de floresta derrubada, consolidando o estado como um dos polos da devastação no Brasil.
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