Por André Garcia
O mês de julho teve a menor área queimada no Brasil em seis anos, com queda de 16% em relação a julho de 2024. A redução antecipa uma melhora nos índices gerais de queimadas, já que ocorre no início da temporada de incêndios florestais, marcada pela seca e pelo acúmulo de material combustível.
Divulgados nesta quarta-feira, 20/8, os números consideram o início da medição do Monitor do Fogo do MapBiomas, em 2019. No período foram 748 mil hectares queimados, um recuo de 40% em relação ao mesmo mês em 2024, com 510 mil hectares a menos queimados.
“É justamente nesse momento que a prevenção deve ser intensificada, já que as principais fontes de ignição têm origem humana”, explica a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda.
Contraste com 2024
Em 2024, o Brasil enfrentou recordes de queimadas impulsionados por uma seca prolongada e pela influência do El Niño, que intensificaram os incêndios em todas as regiões do País. A combinação entre clima extremo e vegetação fez daquele ano um dos mais críticos da série histórica.
Agora, de acordo com o pesquisador Felipe Martenexen o cenário positivo pode ser atribuído a pelo menos dois fatores principais. O primeiro deles é o retorno das chuvas, que dificulta o início e a propagação do fogo. O segundo é a cautela extra de produtores e comunidades.
“Os prejuízos ambientais e econômicos de 2024, juntamente com o monitoramento e registro mais intensos das queimadas, podem ter levado produtores e comunidades a adotarem maior cautela com a prática, o que contribuiu para a queda nos números”, explica ele.
Cerrado sob pressão
Apesar da melhora, o alerta permanece especialmente no Cerrado, que concentra 76% das ocorrências registradas no País em julho. Foram 571 mil hectares destruídos pelo fogo no período. No acumulado do ano, o bioma também tem os piores índices, com 1,2 milhão de hectares afetados entre janeiro e julho -metade da área queimada no Brasil.
“Os dados do Monitor do Fogo de julho reforçam a centralidade do Cerrado na agenda do fogo no Brasil. Mesmo com a redução registrada, o bioma continua respondendo pela maior parte das áreas queimadas”, acrescenta Vera.
A análise dos estados que lideraram o ranking de áreas queimadas em julho reforça a urgência. Tocantins (203 mil hectares), Mato Grosso (126 mil) e Maranhão (121 mil) aparecem no topo da lista e têm em comum o fato de estarem integral ou parcialmente sobrepostos ao bioma.
Acumulado do ano
No acumulado de janeiro a julho de 2025, o fogo atingiu 2,45 milhões de hectares em todo o Brasil. O número representa diminuição de 59% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 6,09 milhões de hectares foram queimados.
A Amazônia acompanhou essa tendência. Entre janeiro e julho, o bioma perdeu 1,1 milhão de hectares para as chamas, 70% a menos que em 2024. Foi o menor índice já registrado desde 2019. Em julho, a redução também foi expressiva, com 143 mil hectares queimados, 65% a menos que no mesmo mês do ano passado.
O Pantanal apresentou o recuo mais significativo. Nos sete primeiros meses de 2025, foram 13 mil hectares queimados, contra 576 mil no mesmo período de 2024, o que representa uma queda de 97%.
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