Uma grande infraestrutura de garimpo ilegal instalada na Terra Indígena (TI) Sararé, do povo Nambikwara, em Mato Grosso, foi desarticulada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A ação faz parte da Operação Xapiri-Sararé, iniciada no começo de agosto, e que segue por tempo indeterminado.
Entre 1º e 22 de agosto, as equipes de fiscalização registraram a apreensão ou destruição de 431 acampamentos, 100 escavadeiras hidráulicas, 4 barcos, 9 caminhonetes, 12 caminhões, 6 tratores de esteira, 43 motocicletas, 317 motores estacionários, mais de 61 mil litros de combustível, armas de fogo, munições, carregadores, 13 kg de mercúrio e 10 antenas de internet via satélite. Em propriedades rurais usadas como apoio logístico, foram neutralizados depósitos clandestinos de combustível e pontos de manutenção de maquinário.
O Ibama destaca que esses números não são apenas estatísticas, mas revelam o tamanho da engrenagem criminosa e a urgência de freá-la.
A TI Sararé lidera, em 2025, o ranking nacional de alertas de garimpo, com 1.814 registros. A região passou a receber um grande fluxo de garimpeiros ilegais, principalmente após o reforço da fiscalização em outras áreas. O fácil acesso contribuiu para a rápida expansão da atividade, que já provocou a destruição de 743 hectares de vegetação nativa dentro da terra indígena.
Entre os impactos, o Ibama cita a poluição de rios e igarapés com mercúrio e resíduos oleosos, o assoreamento dos cursos d’água, a perda de habitat por desmatamento, ameaças diretas à cultura e ao modo de vida do povo Nambikwara e o fortalecimento de organizações criminosas na região.
O Ibama afirma que ações de fiscalização continuarão por tempo indeterminado.
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