HomeEcologia

MT lidera emissões no agro em ano de queda recorde do Brasil

MT lidera emissões no agro em ano de queda recorde do BrasilEstado é central para cumprimento de metas brasileiras.

Clima coloca segunda safra de milho em xeque
Saca de milho custa quase o dobro de dois anos atrás
PL do mercado de carbono deve sofrer novas alterações antes de ser votado

Por André Garcia

Com 231 milhões de toneladas de CO2 equivalente emitidas em 2024, Mato Grosso aparece entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do País e lidera com folga o ranking per capita. Cada habitante do estado emitiu, em média, cerca de 60 toneladas no ano, quase três vezes mais que a Arábia Saudita e mais de três vezes acima dos Estados Unidos.

Os dados constam em relatório do Observatório do Clima, baseado no Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), que aponta o estado como um dos principais pontos de pressão para o cumprimento das metas climáticas brasileiras em um cenário em que o  Brasil registrou queda de 16,7% nas emissões em 2024, totalizando 2,145 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.

Foi a segunda maior redução da série histórica. A queda foi puxada principalmente pela redução do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra recuaram 32,5%.

Apesar disso, o relatório mostra que a melhora não veio de uma transformação estrutural da economia. Nos demais setores, as emissões ficaram estáveis ou cresceram, com alta em energia, indústria e resíduos.

Agro mantém peso elevado nas emissões

A agropecuária continua sendo um dos principais vetores de emissão no País. Em 2024, o setor respondeu por 626 milhões de toneladas de CO2 equivalente, com leve queda de 0,7%. As emissões incluem principalmente a fermentação entérica (arroto), ligada ao rebanho bovino; o manejo de dejetos; o uso de fertilizantes; o cultivo de arroz irrigado e a queima de resíduos agrícolas.

Incêndios e uso da terra ampliam pressão

O relatório também destaca o impacto dos incêndios florestais, que atingiram recorde em 2024, com 241 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Embora esses dados não entrem na contabilidade oficial, eles ajudam a dimensionar a pressão adicional sobre estados com forte presença de vegetação nativa, como Mato Grosso.

Brasil pode perder meta climática em 2025

Mesmo com a queda registrada em 2024, a projeção é de que o Brasil não cumpra sua meta climática para 2025. A estimativa aponta emissões líquidas de 1,44 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, cerca de 9% acima do limite estabelecido na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

Segundo o Observatório do Clima, o controle das emissões no País ainda depende excessivamente da redução do desmatamento, enquanto setores como energia, indústria e agropecuária avançam pouco na redução estrutural.