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Pó de rocha é alternativa nacional para uma pecuária sustentável

Pó de rocha é alternativa nacional para uma pecuária sustentávelPó de rocha resolve o problema da dependência externa de potássio. Foto: Embrapa

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Uma técnica que utiliza rocha moída para nutrir a terra está se revelando uma arma poderosa contra o aquecimento global no coração do Brasil. Uma pesquisa pioneira, realizada pela Embrapa Cerrados em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), comprovou que o uso de remineralizadores de solo — popularmente conhecidos como “pó de rocha” — reduz drasticamente a emissão de gases de efeito estufa em pastagens, superando o desempenho dos fertilizantes químicos tradicionais.

Entre os materiais testados, o xisto biotítico foi o grande destaque: ele poluiu quatro vezes menos que o cloreto de potássio, o fertilizante comercial mais usado hoje. Enquanto o adubo comum liberou 415 kg de gases poluentes por hectare, o pó de rocha emitiu apenas 82 kg.

A descoberta é uma grande notícia para a pecuária do Cerrado, onde um dos grandes vilões invisíveis é o óxido nitroso. Embora menos famoso que o gás carbônico (CO2), ele é quase 300 vezes mais potente no aquecimento do planeta e costuma ser liberado após o uso de fertilizantes nitrogenados.

Como o Brasil possui 155 milhões de hectares de pastagens, encontrar alternativas naturais é estratégico. Ao contrário dos adubos convencionais, que passam por processos químicos pesados, o pó de rocha é obtido apenas pela moagem de pedras ricas em minerais, o que garante um impacto ambiental muito menor desde a fabricação.

Menos importação, mais sustentabilidade

Além de limpar a produção, o pó de rocha resolve um problema econômico: a dependência externa. Atualmente, o Brasil importa 95% do potássio que consome, vindo principalmente da Rússia. Já as pedreiras de basalto e xisto estão espalhadas por estados como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso.

Alexsandra de Oliveira, supervisora do estudo, explica que o objetivo é reduzir a pegada ambiental deixada pelo transporte e produção de sintéticos.

“Buscamos alternativas que possam reduzir nossa dependência de fertilizantes sintéticos importados, utilizados na fertilização de pastagens, já que sua produção, transporte e aplicação deixam uma pegada ambiental significativa. Com base nesses resultados, vimos que os remineralizadores apresentam potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, afirma.

Saúde para o solo e para o bolso

Os experimentos mostraram que o pó de rocha não apenas polui menos, mas também ajuda o solo a “guardar” mais carbono, funcionando como uma esponja de poluição.

O estudo também monitorou a saúde biológica da terra e percebeu que esses minerais promovem mudanças positivas e graduais, sem causar desequilíbrios.

“A estabilidade da atividade enzimática sugere que o sistema mantém sua funcionalidade ao longo do tempo, o que é um importante indicador de sustentabilidade ambiental”, observa Alexsandra.

A transição para uma pecuária de baixo carbono parece estar literalmente debaixo dos nossos pés.

“Os resultados reforçam a ideia de que a transição para sistemas de produção pecuária de baixo carbono envolve não apenas a ‘troca de insumos’, mas também a escolha da fonte adequada e o ajuste da dosagem para maximizar os benefícios e evitar efeitos colaterais”, afirma.